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Crítica: Licence to Kill (1989)

Licence to Kill Critica de Cinema

CONTÉM SPOILERS DE LICENCE TO KILL!

Foi um reinado curto, este de Timothy Dalton como o espião mais famoso do mundo. Ainda que não tenha tido tempo para florescer, Dalton não é, de todo, aquilo que pintavam dele. Tem as doses de charme necessárias, ainda que precisasse de treinar o lado mais emotivo de James Bond. Talvez para muitos, Licence to Kill seja um filme de 007 com menos capacidade ou menos carisma que os anteriores. Para mim é o reverso. E porquê? Porque Licence to Kill toma riscos e adultera alguns aspetos da fórmula clássica e nas doses equilibradas que necessitava. James vê o seu colega e companheiro de longa data Felix Leiter a perecer pelas mãos de um magnata traficante e abandona o Serviço de Sua Majestade para fazer justiça pelas próprias mãos.

Licence to Kill Critica de Cinema

Apesar de não ser perfeito, obviamente, Licence to Kill foge das regras que sempre regeram esta saga desde o início. Foge mas não as abandonas na totalidade, já que James Bond continua a ser aquele homem charmoso, irresistível e que consegue escapar das situações mais difíceis, permanecendo um mulherengo sedutor e um homem de ação como sempre o conhecemos. Mas, acima de qualquer outra coisa, Bond é humano e nutre sentimentos pelos seus companheiros; não rejeitando a possibilidade de fazer frente a quem seja para que os criminosos sejam entregues à autoridade. Licence to Kill é aquela viagem que Bond faz, ainda que pudesse ter um dramatismo mais forte, para confrontar a organização a quem sempre trouxe resultados e que lhe vira as costas numa altura fulcral. Esta atitude acaba por progredir com a saga, quebrando aquela fórmula já aborrecida de enredos político-terroristas que começou a entrar num ciclo vicioso.

É também um filme que continua a brilhar nas sequências de ação e que nos apresenta um Benicio Del Toro no início da sua carreira. Claro que Licence to Kill acaba por não conseguir ser mais tocante e mais emocionante por Dalton torna-se muito mecânico na sua prestação; para além de a vingança ser feita de forma muito prática e simples, como se os recursos estivessem todos à disposição do espião mesmo que a sua agência o tenha abandonado. As personagens também acabam por continuar a não ter um desenvolvimento que justifique propriamente as suas motivações de forma clara, e estes são os fatores que não lhe permitem ir um pouco mais além. Mas é um início bom para a equipa de argumentistas quebrar aquele tipo de Bond que já não faz sentido no tempo moderno. Há sempre um tradicionalismo próprio e que Licence to Kill preserva, mas há uma atitude e uma humanização de uma personagem que foi sempre tratada como um lacaio sem emoções e cujas missões o impedem de demonstrar aquilo que o torna um ser humano.

Licence to Kill Critica de Cinema

Portanto, mesmo que seja do desagrado de muitos, Licence to Kill é uma despedida muito porreira de Dalton como Bond e, acima de tudo, marca um ponto de viragem fulcral na mentalidade dos argumentistas, que agora entendem que a robotização humana não é possível quando lidamos quando humanos de carne e osso. Não somos meramente um corpo que serve para determinados feitos, mas temos toda uma componente sentimental e que nunca a conseguimos esconder porque faz parte de nós.

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Título: 007 – Licença para Matar

Título Original: Licence to Kill

Realização: John Glen

Elenco: Timothy Dalton, Carey Lowell, Robert Davi, Talisa Soto, Anthony Zerbe, Frank McRae, Everett McGill, Wayne Newton, Benicio Del Toro, Anthony Starke, Pedro Armendáriz Jr., Desmond Llewelyn.

Duração: 135 min.

Trailer | Licence to Kill

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