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Crítica: I’m Your Woman (2020)

I'm Your Woman Crítica de Cinema

PODE CONTER SPOILERS DE I’M YOUR WOMAN!!!

Rachel Brosnahan tem vindo a revelar-se como uma das atrizes-revelação dos últimos anos, e muito se deve à sua dedicação à série The Marvelous Mrs. Maisel, uma séries de comédia da Amazon que se tem mantido consistente temporada após temporada. Pois bem, o serviço de streaming torna a pôr a fé na atriz numa das suas mais recentes longas-metragens, I’m Your Woman, mas os resultados ficam aquém do esperado.

Brosnahan é Jean, mulher de um ladrão cuja vida é virada do avesso quando este é dado por desaparecido. Agora com o perigo em casa esquina, Jean vê-se obrigada a entrar em fuga, ao mesmo tempo que toma conta de uma criança recém-nascida.

Torna-se mais do que aparente que I’m Your Woman foi construído com Brosnahan em mente para o papel principal. E tal como foi testemunhado em The Marvelous Mrs. Maisel, a atriz não desilude, ainda que nos ofereça algo diferente. Aqui, encontramos uma Jean que se tornou confortável no seu estilo de vida único, mas acaba por ter de fazer mudanças radicais à sua vida, não só pela sua própria sobrevivência, mas também em prol da sobrevivência da criança.

Um filme de duas horas de duração pode parecer exagerado, a menos que tenha algo de concreto para contar. E embora duas horas possam ser demais para este filme (na minha opinião pessoal, há momentos que podiam ser ou eliminados ou melhorados), esta duração é justificável graças à prestação poderosa de Brosnahan, que muda entre uma mulher indefesa sem saber o que fazer e uma mulher que é capaz de tudo para sobreviver às tribulações da vida real.

Além deste arco narrativo convincente, I’m Your Woman também é dotado de um aspeto visual cativante. A observar o guarda-roupa, a maquilhagem e os adereços, fica mais do que claro que o filme tenta recapturar aquele vibe típico dos anos 70. E mesmo a própria fotografia do filme não é algo que mereça ser descartado, ainda que não tome alguns riscos necessários. Os próprios planos consistem mais em close ups do que fotografias panorâmicas (ou seja, o ambiente em si), mas pelo menos aproxima-nos um pouco mais da ação que está a decorrer a determinados momentos.

Ainda assim, a nível de guião, o filme deixa a desejar. Não só o seu ritmo não parece ser suficientemente consistente – o seu terceiro ato é onde a ação começa a ter um toques mais céleres – mas parece que o filme tenta manter-se numa ambivalência consistente que chega a ser enfurecedor. Custa ver uma personagem a pedir respostas concretas a uma questão e receber uma “resposta”, por exemplo. Claro que pode ser uma de várias maneiras de meter as personagens e a audiência em “pé de igualdade”, mas não deixa de ser irritante, no mínimo.

Em suma, I’m Your Woman tem imensos momentos que nos faz desejar fazer um rage quit ou, na pior das hipóteses, fazer alguém adormecer após um longo dia de trabalho. Ainda assim, os resistentes encontrarão motivos de sobra para ver o filme sob a forma de uma Rachel Brosnahan simplesmente sublime.

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Título: Eu Sou a Tua Mulher

Título Original: I’m Your Woman

Realização: Julia Hart

Elenco: Rachel Brosnahan, Marsha Stephanie Blake, Arinzé Kene, Frankie Faison, Marceline Hugot

Duração: 120 minutos

Trailer | I’m Your Woman

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