Cinema Críticas

Crítica: GoldenEye (1995)

GoldenEye Critica de Cinema

CONTÉM SPOILERS DE GOLDENEYE!

Chegámos a uma etapa crucial da saga de James Bond. Há toda uma alteração de personagens, objetivos e manter o tradicionalismo já conhecido do espião mais famoso do cinema. Agora com Pierce Brosnan no papel principal, GoldenEye prima com sequências de ação muito bem ensaiadas, personagens muito carismáticas, ainda que, ao contrário de muitos, não o considere o melhor filme com base neste ícone da mente de Ian Fleming. Em GoldenEye, James vê a morte do seu colega Alec nas garras dos militares russos, que voltam a dar à costa anos mais tardes e parecem estar afiliados a uma organização terrorista responsável pelo roubo de um importante programa espacial de armas. Não é para espanto de 007 quando descobre que Alec está vivo e está por trás de todo este enredo criminal.

GoldenEye Critica de Cinema

GoldenEye sem dúvida que recupera algumas características e atribui novas à saga. O tema dos créditos de Tina Turner encaixa na perfeição no registo clássico, para além de sequências de ação extremamente bem filmadas por um dos que considero dos melhores anfitriões na realização de James Bond: Martin Campbell. Tem também um elenco diversificado e talentoso, mas há certas características que não encaixam bem. Um dos maiores triunfos de GoldenEye é a ascensão de Judi Dench como M, que não tem papas na língua em dizer umas verdades ao nosso herói que levou sempre uma vida arrogante e leviana, para além de toda a misoginia que já lhe estava associada. Para além disso, temos uma Famke Janssen num papel que revolucionou a sua carreira e um Sean Bean que nos agracia mais uma vez com uma morte memorável (piada!). Mas os sotaques da maioria dos atores, sendo que nenhum deles é russo, assenta mal numa altura em que o cinema já estava a revelar progressos de inclusão.

Outro aspeto que também acaba por pecar é o humor abundante que é instável e, ora resulta, ora não, tentando dar um toque moderno aos aspetos mais superficiais da saga. Embora a ação seja muito palpitante, há também algumas situações em que é exagerada e desnecessária, sendo para proveito exclusivo de revelar a tecnologia de ponta dos anos 90 e o progresso significativo que o CGI fez até então. Uma das características que nunca apreciei muito nos filmes de Pierce Brosnan é o abuso sistemático de tecnologia (claro que o senhor Desmond Llewelyn continua a ser um verdadeiro cavalheiro) para auxiliar o espião nas suas missões e que, de alguma forma, lhe remove o protagonismo como aquele que tem de tomar decisões repentinas para se salvar. Mas GoldenEye é, no seu todo, um filme excelente de ação e que traz toda uma variedade enorme de personagens carismáticas e que mostra sem preocupações o crescimento dos efeitos digitais que escondem as imperfeições técnicas mais óbvias.

GoldenEye Critica de Cinema

Mesmo que a história não varie muito daquilo que já temos conhecimento, GoldenEye é aprazível por colocá-las diretamente na ação e deixá-las mais à vontade em frente da câmara, arrancando prestações mais genuínas e não tão mecanizadas. Ainda assim, não deixo de sentir um pouco de pena por não conseguir admirar este GoldenEye como um passo grande para a saga porque aqueles aspetos mais mundanos da sua estrela continuam a ser objeto para agradar fãs, e esquece-se dos avanços sociais que eram tão necessários por esta altura. Aprecio-o como um bom filme de ação, mas há todo um trabalho argumentativo que precisa ainda de amadurecer.

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Título: 007 – GoldenEye

Título Original: GoldenEye

Realização: Martin Campbell

Elenco: Pierce Brosnan, Sean Bean, Izabella Scorupco, Famke Janssen, Joe Don Baker, Judi Dench, Robbie Coltrane, Tchéky Karyo, Gottfried John, Alan Cumming, Desmond Llewelyn, Samantha Bond, Michael Kitchen, Simon Kunz, Constantine Gregory, Minnie Driver.

Duração: 130 min.

Trailer | GoldenEye

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