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Crítica: Constantine (2005)

Constantine Critica de Cinema

CONTÉM SPOILERS DE CONSTANTINE!

Nunca é demais revermos alguns clássicos que, de alguma forma, não os compreendíamos bem na altura. Apesar de não ser um fã propriamente dito deste registo da adaptação da banda-desenhada de Garth Ennis, Constantine estava muito à frente do seu tempo. Todo conhecem o mais famoso demonólogo da DC e, infelizmente, nunca foi um que o cinema e a televisão tratassem com a devida consideração, já que este filme ficou esquecido numa oportunidade interessante de criar um universo em torno dele e a sua versão televisiva ficou reduzido a uma ridicularização cómica numa série que em nada o favorece. John Constantine é um underdog das artes audiovisuais e esta crítica irá ser um pouco um elogio comedido mas, ainda assim, esperançoso que o comecemos a ver com melhores olhos.

Constantine Critica de Cinema

Keanu Reeves é o escolhido para expulsar toda a escória divina que continua a atormentar os frágeis humanos, que não são nada mais do que objetos de entretenimento da mesma. Ao ser procurado por Angela, que perdeu a irmã gémea em circunstâncias sobrenaturais, Constantine descobre uma conspiração maior onde o Equilíbrio que foi mantido entre Bem e Mal é quebrado para que a ascensão do filho de Satanás à Terra seja possível. Mas Constantine precisará de ajuda de vários companheiros para impedir que isto aconteça.

Este produto realizado por Francis Lawrence tem tanto de bom como deixa um travo amargo ao longo da sua duração. É um filme complexo, o que, por si só, é um ponto a favor, já que tem alguns aspetos visuais muito interessantes e prestações carismáticas. É também um filme ambicioso e que infelizmente não consegue ascender ao estatuto que procura. Apesar de todo um worldbuilding bem formado e de um mistério acutilante, Constantine acaba por sucumbir a alguns clichés desnecessários e tem um final demasiado rebuscado e pouco credível. Sei que muitos fãs podem discordar e estão no seu direito, mas Keanu Reeves não é propriamente o ator certo para representar este tipo de personagem. É um excelente ator, mas é um que tem uma postura muito suave para um personagem duro, irónico e de temperamento volátil. Acho que, na verdade, agora a revê-lo, sinto que Constantine é uma personagem que procura ser demasiado cool e Keanu, por muito cool que seja naturalmente, sempre procurou papéis onde rejeita a possibilidade de um humor corriqueiro. Em Constantine ele acaba por fazê-lo e simplesmente não convence.

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No entanto, o trabalho argumentativo no seu geral acaba por fazer esquecer esta questão, deixando o espectador cada vez mais acostumado a ver Reeves no papel… ainda assim, continuo a manter a minha postura de não o achar o ator indicado para tal. Para além disso, as personagens secundárias acabam por carecer de alguma contextualização mais trabalhada, já que estão sempre a saltitar de protagonismo e, de facto, sabemos muito pouco sobre elas. É óbvio que não há tempo para tudo, e Constantine é um filme que consegue manobrar bem as suas maiores falhas e utiliza visuais e trabalhos de câmara bastante interessantes para compensar. Toda esta mitologia merecia uma segunda oportunidade para que este filme não seja o único a representar algo que é muito mais do que a soma das suas partes.

Também não é correto empanturrar muito o primeiro filme com demasiada informação e Constantine acaba por fazê-lo de forma ironicamente competente, já que vai gesticulando as diferentes condutas dos intervenientes principais e oferece-lhes a oportunidade de participarem sem parecer confuso ou fora de contexto. Mas, infelizmente, por muito respeito que tenha por este filme e da forma injusta como foi tratado, tenho de reconhecer alguns defeitos que podiam ser muito bem contornados e, mesmo que não seja um defensor de Keanu Reeves neste papel, terei todo o gosto em continuar a acompanhar as suas aventuras duma personagem que é tão complexa e tão interessante. Portanto, Constantine acaba por perder ritmo por deixar-se levar pelos clichés mais desinteressantes e algumas decisões deus ex machina que não assentam bem, para além de oferecer poucas camadas às personagens secundárias que mereciam mais, e um ator com uma postura não tão angelical para trazer mais realismo. Ainda assim, é uma aventura muito empolgante e bem realizada, com visuais arriscados e com um grau de entretenimento muito elevado.

Esperemos que os rumores de uma sequela sejam reais porque, de facto, John Constantine merece.

Constantine Critica de Cinema
KEANU REEVES and RACHEL WEISZ star in Warner
Bros. Pictures’ supernatural thriller “Constantine.”
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Título: Constantine

Título Original: Constantine

Realização: Francis Lawrence

Elenco: Keanu Reeves, Rachel Weisz, Shia LaBeouf, Djimon Hounsou, Max Baker, Pruitt Taylor Vince, Gavin Rossdale, Tilda Swinton, Peter Stormare.

Duração: 120 min.

Trailer | Constantine

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