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Crítica: Wander Darkly (2020)

Wander Darkly Critica de Cinema

CONTÉM SPOILERS DE WANDER DARKLY!

Nesta fase crucial para o envio de filmes para os prémios mais cobiçados do cinema, Wander Darkly era um dos mais promissores. Um que projeta as carreiras de Sienna Miller e Diego Luna para um novo patamar e que, de alguma forma, dá um twist em filmes do género, deixando o espectador relacionar-se com a protagonista feminina e não pela já saturante masculinidade neste tipo particular de cinema. Wander Darkly acompanha os jovens pais Adrienne e Matteo e que sofrem um acidente grave e onde Adrienne parece ficar aprisionada num estranho e desconcertante limbo onde é forçada a reviver memórias que podem ser chave para entender o porquê da sua relação com Matteo ter vindo a degradar-se ao longo do tempo.

Wander Darkly Critica de Cinema

Gostava que Wander Darkly, de facto, fosse um filme que revolucionasse as convenções de um género; e, embora tenha alguns aspetos engraçados, é um exercício extremamente melodramático que, em vez de realçar os protagonistas, acaba por se tornar aborrecido e segue precisamente tudo aquilo que já foi feito dentro do género. Apesar de Miller e Luna estarem bastante bem, a sua química é bizarra e não muito satisfatória, tornando Wander Darkly incompreensivelmente banal e desprovido de alma. A realização de Tara Miele é desnorteada e, por muito que isso assente bem no caminho etéreo que a protagonista tem de fazer até perceber o que lhe aconteceu, acaba por nunca nos deixar propriamente elucidados. Em vez disso, Wander Darkly torna-se um show-off performativo que começa a ser demasiado melodramático e provoca um overacting desnecessário dos atores. É também um que, mesmo tendo este passo importante de vermos as situações pelo prisma feminino, não o consegue tornar fresco ou mais apelativo.

Sente-se que Wander Darkly vagueia na sua temática e nunca sabe propriamente como se destacar. No entanto, a banda-sonora de Alex Weston é maravilhosa e torna os momentos mais envolventes, ainda que não os consiga salvar precisamente pelos motivos anteriores. Por muito que se esforce, Wander Darkly afoga-se num argumento banal e a direção de Miele torna-se aborrecida e saída de um romance atribulado de Nicholas Sparks, procurando arrancar a simpatia (e empatia) do público às quatro pancadas, num filme apressado e desnecessariamente exagerado. Se Miele simplificasse os papéis e permitisse que os atores dessem um pouco de toque pessoal, talvez Wander Darkly não parecesse tão plástico e de emoções “pré-encomendadas”. Ainda que tenha algumas características técnicas interessantes, é um filme que não faz justiça à mensagem que pretende transmitir, caindo num ridículo forçado que, em vez de conquistar, torna-se o seu maior inimigo.

Wander Darkly Critica de Cinema

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Título: Wander Darkly

Título Original: Wander Darkly

Realização: Tara Miele

Elenco: Sienna Miller, Diego Luna, Beth Grant, Vanessa Bayer, Brett Rice, Aimee Carrero, Dan Gill, Tory Kittles.

Duração: 97 min.

Trailer | Wander Darkly

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