Cinema Críticas

Crítica: Safety (2020)

Safety Crítica de Cinema

PODE CONTER SPOILERS DE SAFETY!!!

Existe algo especial nos filmes feel good: embora saibamos a trajetória previsível das suas tramas, é impossível não tecermos sorrisos rasgados ou lágrimas no canto do olho perante as histórias que testemunhamos. Considerando os tempos que vivemos, uma história com um desfecho feliz entre diversidades é bem o que estamos a precisar. Será Safety, a nova aposta cinematográfica da Disney+, um desses filmes?

Baseado em factos verídicos, Safety centra-se em Ray “Ray-Ray” McElrathbey, um estudante-atleta da Universidade de Clemson. Embora esteja a tentar balançar os seus estudos com os seus treinos como safety como membro da equipa de futebol americano da casa, a vida de Ray complica-se ainda mais quando a sua mãe dá entrada num centro de reabilitação, obrigando-o a ter de tomar conta do seu irmão mais novo, Fahmarr.

Permitam-me começar esta crítica ao dizer isto: Safety não é um mau filme, mas está longe de ser uma das melhores histórias que a Disney nos proporcionou até à data, independentemente do seu formato de chegada.

Num certo sentido, Safety faz justiça ao título que emprega, uma vez que todos os seus aspetos parecem jogar pelo seguro. O filme apresenta a situação de Ray e diz-nos que é um assunto bastante sério (e é, especialmente se considerarmos que, neste lado do Atlântico, há estudantes que têm dificuldades em conjugar as suas vidas escolares e profissionais, já para não falar de cuidar das suas famílias), mas são raras as ocasiões em que o filme se aventura pelos temas mais sensíveis. O mais próximo que o filme entra nessa ideia reside quando Ray decide tomar ações pelas suas próprias mãos face à NCAA (pensem numa espécie de FIFA ou UEFA do futebol americano).

Em vez disso, o filme mostra as adversidades que Ray enfrenta para cuidar de Fahmarr como vinhetas de um filme de comédia. Embora capazes de roubar um riso ocasional, acabam por menosprezar a situação em que Ray se encontra. Não custa muito haver um pouco de comédia física, claro, mas sem ignorar a seriedade da situação presente; há filmes semelhantes que conseguem ser melhores que Safety, muito porque foram capazes de mostrar o lado mais feio da situação em que os protagonistas se encontram.

Dito isto, as intenções de Safety estão estampadas do princípio até ao fim, e é impossível não nos deixarmos de comover com a mensagem que tenta transmitir. Não só nos preocupamos com os problemas de Ray e Fahmarr (também ajuda quando Jay Reeves é convincente, e Thaddeus J. Mixson rouba todas as atenções), mas o momento em que a comunidade local decide dar uma mão (ainda que não seja propriamente realista, mas não menos poderoso para quem se encontra em confinamento, por exemplo) não passa despercebido. A mensagem é mais do que clara: em momentos de maior adversidade, é normal pedir-se ajuda.

No que toca ao resto do filme em si, Safety não desilude, mas também não impressiona. Os atores entram nos seus papéis de forma convincente, mas não tem complexidade suficiente para se sobressaírem; os trabalhos de câmara, aparte da sequência inicial, são tradicionais, na melhor das hipóteses.

Safety tem boas intenções, e possui diversos momentos que puxam pelos sentimentos da audiência (momentos esses que se revelam eficazes), mas não esperem daqui uma grande obra-prima da Disney. Faz passar a mensagem, mas não deixa de ser “mais um”.

Podem ler outras Críticas aqui.

Título: Safety

Realização: Reginald Hudlin

Elenco: Jay Reeves, Thaddeus J. Mixson, Corinne Foxx, Matthew Glave, James Badge Dale

Duração: 122 minutos

Trailer | Safety

Comments