Cinema Críticas

Crítica: Troy (2004)

Troy Critica de Cinema

CONTÉM SPOILERS DE TROY!

Foi um épico chacinado pela crítica na sua altura… um que projetou a carreira de um dos criadores de Game of Thrones para o estrelato; um que conta com um elenco extremamente talentoso; um que adapta uma das obras mais icónicas da História da Humanidade; um que nunca foi visto pelo seu potencial e pelos seus magnânimos valores de produção. Troy é baseado n’A Ilíada de Homero e, como já deve ser do conhecimento de todos, insere-se na grande batalha entre o exército grego e troiano, após Helena de Troia ter fugido com o seu amante, o príncipe Páris. E, apesar das muralhas da cidade serem consideradas impenetráveis, o rei Agamemnon tem um trunfo (descontrolado) no seu cartório: o temível guerreiro Aquiles.

Troy Critica de Cinema

Troy é realizado por Wolfgang Petersen, o alemão responsável pelo clássico Das Boot. É um exercício de cinema maravilhoso, ainda que não seja perfeito. Mesmo que o argumento por vezes não consiga sustentar a quantidade de personagens relevantes no seu cartório e alguns planos de câmara não se adequarem às situações, Troy é um épico empolgante, recheado de momentos icónicos e com atores extraordinários que assentam que nem uma luva nas personagens que interpretam. Desde um Brad Pitt numa forma física invejável, a um Peter O’Toole a regressar ao género que o tornou icónico no cinema, a uma Diane Kruger e Rose Byrne na rampa de lançamento para o estrelato, até à minha personagem favorita Hector, interpretado por um sensato Eric Bana. Apenas Orlando Bloom tem o desprazer de ficar com a personagem mais detestável e, no entanto, necessária, para que Troy consiga seguir o seu rumo e proporcionar-nos quase três horas de uma intensidade inesquecível.

Os valores de produção são altíssimos e os cenários conquistam pela sua exoticidade, um guarda-roupa fenomenal e uma banda-sonora incrível por parte de James Horner. É também o filme que quebra com a maldição de Sean Bean e de ser forçado a ter de morrer, seja de que forma for, durante quase toda a sua carreira. Bean interpreta Ulisses, o grande herói d’A Odisseia, igualmente de Homero. As personagens principais são construídas com diálogos inteligentes e backgrounds simples, regidas por comportamentos diversificados e que tornam esta novela cativante e envolvente. Ainda que condene um pouco algumas decisões de Petersen em termos de filmagem das batalhas, Troy é, no seu geral, um épico excelente. Há toda uma precisão em recriar A Ilíada e a verdade é que o argumento de David Benioff é, no seu geral, bastante competente, apostando na diversidade de mentalidades, valores e motivações que regem as muitas personagens do filme.

Troy Critica de Cinema

E esta história clássica tem algo de muito invulgar na sua abordagem, já que é um conto que aparenta ser sobre heróis e vilões; conquistadores e derrotados; mas há toda uma linha de perda que se vai prolongando como se se tratasse dum vírus que se propaga. A ganância choca com o que é correto; a ousadia dá asas à guerra; o amor é substituído por ódio. E tudo isto é uma metáfora sobre nós e sobre o que a sociedade moderna continua a fazer. Há certas obras intemporais e, por muito que Troy possa não ser do agrado de muitos, não deixa de ser um exemplo visual competente e que dá vida a esta obra da literatura icónica, e que merece ser visto e revisto pelo seu carisma e vida própria.

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Título: Troia

Título Original: Troy

Realização: Wolfgang Petersen

Elenco: Julian Glover, Brian Cox, Nathan Jones, Jacob Smith, Brad Pitt, John Shrapnel, Brendan Gleeson, Diane Kruger, Eric Bana, Orlando Bloom, Mark Lewis Jones, Garrett Hedlund, Sean Bean, Julie Christie, Peter O’Toole, James Cosmo, Nigel Terry, Trevor Eve, Owain Yeoman, Saffron Burrows, Rose Byrne, Vincent Regan, Tyler Mane.

Duração: 163 min.

Trailer | Troy

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