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Crítica: Octopussy (1983)

Octopussy Critica de Cinema

CONTÉM SPOILERS DE OCTOPUSSY!

Estamos de volta a mais uma aventura de James Bond e, desta vez, as coisas não correram assim tão bem como o esperado. Octopussy é provavelmente um dos filmes mais sobrevalorizados da saga, feito para parecer cool aos olhos das massas, mas esquece-se de dar uma história mais credível e mais emocionante do que realmente entrega. 007 é enviado numa nova missão depois do seu colega 009 ter sido assassinado por causa de uma estranha joia, um ovo de Fabergé. Ao viajar para a Índia, James descobre um negócio de tráfico de joias valiosas que camufla uma operação terrorista que visa destruir a NATO. É com a ajuda de Octopussy, uma líder de uma seita feminina, que James procura solucionar o problema.

Octopussy Critica de Cinema

Octopussy é um produto que começa a remover charme ao espião mais irresistível do cinema e inicia um processo árduo de americanização do mesmo. Ainda que John Glen consiga criar sequências de ação entusiasmantes a longo prazo, e o design de produção de Peter Lamont conquiste, Octopussy é um capítulo banal e com uma história pouco consistente. Sir Roger Moore continua impecável, mas já o restante elenco perde charme e carisma. Acima de tudo, Octopussy procura tirar proveito de aspetos parolos para tentar parecer engraçado e agradar a um público mais vasto, utilizando o lado menos astuto do espião para o fazer.

O problema maior de Octopussy é precisamente aquilo por que é recordado: o seu nome sugestivo. A personagem que dá vida ao título desta aventura de Bond é altamente subexplorada, sendo utilizada meramente para agradar à sociedade heteronormativa, não sendo mais do que um alicerce para reforçar um machismo desnecessário que a saga cisma em prolongar. No capítulo anterior, For Your Eyes Only, houve algumas melhorias face a esta questão, algo que Octopussy infelizmente destrói. James Bond é um ícone do cinema e irá, para sempre ficar consagrado, e mesmo que tenha motivos para tal, também tem alguns demónios que o assombram devido à altura em que os filmes começaram a ser produzidos e lançados. São tempos diferentes agora, e nos anos 80 já havia mudanças positivas, mas os filmes procuram manter uma tradição pouco substancial e que afunda a saga para um nível intolerável.

Octopussy Critica de Cinema

Ainda assim, há que dar mérito à banda-sonora (tirando mais uma vez o tema principal que é baço e sem vida) de John Barry e à realização de Glen que se torna verdadeiramente entusiasmante quando se foca na ação. No entanto, todo o restante trabalho argumentativo é pobre, com pouca substância e um tradicionalismo corriqueiro que não dá absolutamente graça nenhuma, apenas “mais arroz” para algo que, por esta altura, já não devia existir.

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Título: 007 – Operação Tentáculo

Título Original: Octopussy

Realização: John Glen

Elenco: Roger Moore, Maud Adams, Louis Jourdan, Kristina Wayborn, Kabir Bedi, Steven Berkoff, Desmond Llewelyn, Robert Brown, Lois Maxwell.

Duração: 131 min.

Trailer | Octopussy

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