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Crítica: Never Say Never Again (1983)

Never Say Never Again Critica de Cinema

CONTÉM SPOILERS DE NEVER SAY NEVER AGAIN!

O segundo filme não-canónico de James Bond (sendo o primeiro, Casino Royale de 1967, que só daqui a muito tempo é que poderemos abordar), recupera Sir Sean Connery no papel do espião mais famoso do mundo. É um filme que se foca numa missão semelhante a muitas outras e que, por um lado tem elementos bons e nostálgicos, e por outro fracassa completamente em ser relevante. 007 precisa de investigar o roubo de dois mísseis nucleares por parte de um agente da SPECTRE e descobrir quais são os alvos pretendidos para os mesmos, desvendando os planos mais atrozes da organização que o persegue há anos.

Never Say Never Again Critica de Cinema

Never Say Never Again é uma rampa de lançamento fantástica para Kim Basinger e Rowan Atkinson, cujas personagens são deliciosamente encantadoras. É também a plataforma para a atriz Barbara Carrera desfilar as suas aptidões como atriz que se tornam em toda a essência de Never Say Never Again. É sempre também um prazer rever Sean Connery na personagem que o imortalizou no cinema, ainda que sem o mesmo carisma. Este filme acaba por prejudicar-se por ter uma temática muito semelhante a outros filmes do espião da saga produzida por Albert R. Broccoli. Enquanto as performances e as personagens conquistam no seu geral, a sua narrativa acaba por ser muito próxima dos filmes anteriores de Bond… para além disso, a inclusão da SPECTRE revela-se um entrave pior do que o esperado, uma vez que as personagens sofreram uma alteração drástica face aos outros capítulos. Ainda que os esforços sejam notórios, há toda uma sensação de Never Say Never Again ser totalmente deslocado.

Esta aposta em tornar comercial o franchise de Bond tem todo um ponto estratégico, mas Never Say Never Again estar inserido no mesmo universo acaba por desfasar a mística criada pelos filmes originais. Tem algum mérito próprio sim, mas talvez se fosse um filme completamente novo, e não seguisse uma história relacionada com os filmes anteriores de Bond, funcionasse melhor. A ideia de que esta é a despedida de Connery do papel aos 52 anos é bonita e agradável, mas chega num contexto muito aleatório e causa pouco impacto.

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No entanto, Irvin Kirshner consegue criar situações verdadeiramente empolgantes, onde a ação é a verdadeira protagonista. Embora o argumento em si não ajude a tornar Never Say Never Again num produto melhor do que o que poderia ser, não há sinais de abrandamento na qualidade das sequências vertiginosas de ação. O problema mesmo é que o sangue fresco é bom, mas as personagens veteranas não permitem uma distinção própria que faça justiça a esse mérito. Never Say Never Again estreou no mesmo ano que Octopussy e certamente que os fãs do espião ficaram algo perplexos por esta mudança drástica de protagonista e cenário… e esse desconforto é notório para quem acompanhou esta saga desde o início.

É sempre um prazer ver o melhor James Bond em ação, mas não era necessário uma despedida tão banal como esta em que a história não consegue acompanhar o seu talento, tornando-se uma cópia rasca de filmes anteriores. Ainda assim, há sempre elementos que se conseguem aproveitar, especialmente os novos atores que agora se tornaram estrelas e que revelam já os seus talentos num filme que pouco assenta nos seus registos. Adeus ao original Mr. Bond, que irá ser sempre o melhor, e não precisamos de um filme como este para conhecer o seu talento!

Never Say Never Again Critica de Cinema

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Título: Nunca Digas Nunca

Título Original: Never Say Never Again

Realização: Irvin Kirshner

Elenco: Sean Connery, Klaus Maria Brandauer, Max von Sydow, Barbara Carrera, Kim Basinger, Bernie Casey, Alec McCowen, Edward Fox, Pamela Salem, Rowan Atkinson.

Duração: 134 min.

Trailer | Never Say Never Again

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