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Warrior – Series Finale – 2ª Temporada

Warrior series finale

PODE CONTER SPOILERS DE WARRIOR!!!

Dizer que Warrior apanhou boa gente de surpresa não faz justiça à série. Oriunda do canal Cinemax – que trouxe séries como Banshee, Strike Back ou The Knick – esta série de artes marciais baseadas em ideias de Bruce Lee foi uma espécie de lufada de ar fresco, ainda que tenha passada um pouco debaixo do radar de muita gente. Tal foi a sua popularidade que a série acabou por ser renovada para esta segunda temporada em análise.

Arrancando pouco tempo depois dos eventos da primeira temporada, Warrior reencontra Ah Sahm (Andrew Koji) de volta com os Hop Wei e delinear os seus planos para derrubar a tong rival, Long Zii, agora liderados pela sua irmã, Mai Ling (Dianne Doan).

O MELHOR:

Warrior continua a aproveitar a sua veia B-movie com eficácia.

E não há melhor evidência dessa qualidade do que as sequências de combate presentes ao longo da temporada. Embora não ocorram com tanta frequência como na temporada anterior, é impossível não ficarmos maravilhados com a sua variedade de estilos (seja o elenco asiático a fazer recurso a artes marciais mais tradicionais ou os europeus a lutarem como se estivessem numa rixa de rua). É como se a série, por momentos, nos quisesse oferecer estes momentos de mão beijada e espera que nos deliciemos com o que vamos testemunhar. Felizmente, encontra os seus frutos nesta vertente. O que culmina no penúltimo episódio da temporada, que é praticamente o melhor da temporada (nay, da série), pelo menos em termos de ação desmiolada.

No entanto, se preocupam com um pouco mais de conteúdo narrativo, então pode-se dizer que Warrior representa claros sinais de melhoria. Enquanto a temporada anterior levou o seu tempo a construir o mundo que pretende mostrar (sacrificando um bom número de personagens no processo), esta já não apresenta o mesmo sacrifício. Sim, continua a ilustrar a cidade de São Francisco antes do findar do século XIX, mas vai mais longe ao explorar ainda mais alguns temas mais relevantes, como a brutalidade policial, o racismo ardente ou a corrupção política, entre tantos outros. Eram ideias que tinham sido apresentadas na temporada anterior, mas que são mais aprofundadas nesta segunda volta.

Também ajuda que alguns personagens tenham recebido francas melhorias na sua exploração. Personagens como Ah Sahm ou Mai Ling tiveram os seus momentos na temporada anterior mas, ainda que tenham alguns momentos de destaque, as personagens secundárias como Hong Chau (Hoon Lee), Penny Blake (Joanna Vanderham) ou Ah Toy (Olivia Cheng) – para mencionar alguns – ganham algo mais tangível para fazer nesta temporada.

E isto sem falar das novas inclusões à série que deram que falar. Temos o caso de Vega (Maria-Elena Laas), uma dona de um clube de combate que ganha interesse nas capacidades de Ah Sahm; Sophie (Celine Buckens), uma das irmãs de Penny que capta a atenção de Dylan Leary (Dean Jagger); Nellie Davenport (Miranda Raison), uma viúva milionário com um interesse nas raparigas chinesas; ou Hong (Chen Tang), um dos novos recrutas da Hop Wei que é tão mortífero nas artes marciais como colorido na sua personalidade. São novas entradas que, logo na sua apresentação, mostram que sabem o que estão a fazer, e o mesmo se aplica aos seus atores.

Tal como tinha mencionado acima, o penúltimo episódio da temporada pode ser visto como o melhor da temporada e da série. Sim, existe a componente da ação desmiolada, mas também possui uma forte carga política e social, uma vez que ilustra um conflito sangrento entre as comunidades chinesa e irlandesa. Este tipo de massacres não são propriamente novidade (o Massacre de Tulsa, por exemplo, foi mencionado em séries recentes como Watchmen ou Lovecraft Country). Este massacre é também baseado em factos verídicos (embora com algumas diferenças em nome da ficção e da narrativa estabelecida), mas não deixa de ser um momento importante e não menos chocante, muito menos considerando que, até hoje, a etnia asiática continua a ser alvo de racismo e violência.

O PIOR:

Apesar das melhorias registadas, Warrior não é para todos.

O foco em ação certamente seduzirá os fãs do género, e a exploração de temas mais relevantes consegue angariar outros fãs. No entanto, é uma série da marca Cinemax, ou seja, por não ter prestígio suficiente, certamente passará despercebido por muita gente.

Também não ajuda que, no meio disto tudo, continue a ser uma série que assente com violência, sexo e profanidade gratuita. Felizmente, não é tão explícita como a sua antecessora, mas certamente não encontrará novos fãs tão cedo.

A narrativa pode ter melhorado em alguns aspetos, mas há algumas falas presentes na tempo que demonstram uma certa falta de cuidado por parte dos seus escritores. E embora as prestações também exibam melhorias, a maior parte também deixa a desejar. São competentes, mas não surpreendentes.

Warrior pode não ser um produto especial aos olhos de muita gente, mas como série de ação, é competente, já para não falar de incluir temáticas socialmente relevantes. É uma pequena pérola que, embora vá passar despercebida, os poucos que a acompanharem irão tirar algum proveito disto.

A série também apresentou ideias para uma possível terceira temporada; no entanto, com o foco da Cinemax em conteúdos não-ficção podem ter terminado com a série de vez. Resta esperar o que lhe irá acontecer: se terá uma terceira temporada oficial, ou se terá de encontrar uma nova casa. Vamos esperar para ver.

Até lá, podem ler a nossa Mini-Review anterior de Warrior aqui.

Estado da série: CANCELADA

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Average Rating

Apesar de estar longe de ser perfeita, Warrior é uma daquelas pérolas que os fãs de ação poderão apreciar. Cenas de ação é a palavra do dia, mas encontra uma profundidade surpreendente.

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