Cinema Críticas

Crítica: Chicago (2002)

Chicago Critica de Cinema

CONTÉM SPOILERS DE CHICAGO!

Podíamos escrever uma tese de mestrado relativamente ao meu musical favorito, Chicago. É uma obra imprescindível para os apreciadores de cinema, uma crítica fabulosa a uma sociedade que se preocupa mais com a fama do que a justiça; uma canção sobre as preocupações mais importantes e as vergonhas alheias; uma ode a um tempo passado e que faz tanto sentido ainda no mundo de hoje. Chicago é uma obra-prima do cinema, com um elenco extremamente talentoso e que lhe valeu seis Óscares da Academia. Conheçam Roxie Hart, uma aspirante a cantora e bailarina nos bares de jazz de Chicago, que assassina a sangue frio o seu amante Fred Casely. Assim que é transportada para a prisão de Cook County, Roxie conhece Velma Kelly, uma das suas inspirações de carreira, que também está enclausurada por matar o seu marido e a sua irmã depois de os ver a fazer o número da “spread eagle” no Hotel Cícero. Ambas estão sobre a asa do advogado cosmopolita Billy Flynn, que nunca perdeu um caso com mulheres. Apesar de não se tolerarem, Roxie e Velma têm uma única ambição em mente: serem vedetas seja em qualquer cenário que for.

Chicago Critica de Cinema

Chicago trabalha tão bem as suas personagens que nos deixa agarrados do início ao fim. Utiliza as suas canções magníficas e números musicais atraentes para apresentar as suas musas e restantes intervenientes importantes da ação, para além de metaforizarem as situações mais “sérias” das suas histórias. Não é à toa que é um musical que disfarça um tema pesado com uma cor berrante, como se um tribunal fosse um circo de marionetas. E que bela comparação é, já que, literalmente, Chicago utiliza a sua voz para expor os podres de uma sociedade que está mais preocupada com o que vende do que com a verdade. É um filme com uma personalidade própria e que retira o melhor da atuação da Broadway e confere-lhe uma marca própria na História do Cinema. Renée Zellweger, Catherine Zeta-Jones, Richard Gere, Queen Latifah e John C. Reilly brilham como nunca brilharam antes, com personagens extremamente carismáticas e talentos únicos que, até então, eram desconhecidos dos seus fãs.

O realizador Rob Marshall, que se tornou um dos meus guilty pleasures favoritos, reúne todo um conjunto de atributos para trazer está sátira musical à vida, diversificando a posição das câmaras em prol de conseguir sequências visuais magníficas e enaltecer o talento natural dos seus atores. As músicas são tão catchy, tão recheadas de ensinamentos e de um humor irónico fenomenal. Todas elas vincadas em expor as personalidades voláteis das personagens e de acompanhar o ritmo de uma cidade que ferve de cultura musical. E é aqui que Chicago continua a cuspir ainda mais qualidade: retratar uma cidade no passado (a ação decorre nos anos 20) que parece imortalizada de certa forma no tempo; cravada num remoinho de flashes e neons que camuflam personagens maliciosas, trapaceiras e vigaristas. Para além disso, é uma ode ao feminismo e à dignidade da mulher, um ataque forte ao jornalismo sensacionalista, uma crítica voraz a uma sociedade que se rege pela tertúlia cor-de-rosa.

Chicago Critica de Cinema

Chicago tem tanto mas tanto para nos proporcionar que nem o pobre Amos (personagem de Reilly) escapa às suas garras, sendo usado como um veículo de ingenuidade e alma incorruptível, que, de alguma forma, estagna por acreditar nas boas intenções e nas falácias de quem o manipula em prol do seu proveito. A presença de uma figura inocente no corredor da pena de morte da prisão, Hunyak, é também prova de que os inocentes nunca são justamente recompensados. Há todo um trabalho nesta personagem falar num idioma que não é totalmente percetível, reforçando a ideia de que ela não é ouvida e ninguém se esforça para a compreender. Chicago é brilhante em transpor as diferentes camadas que envolvem as personagens e os simbolismos que lhes são atribuídos através de cores, graciosidade e ritmo calmo e lento.

Os jogos de cores que o diretor de fotografia Dion Beebe utiliza para embelezar os cenários e tornar ainda mais vívidos os números musicais é absolutamente magistral. Tudo é enaltecido através dos elementos mais puros da arte do cinema, tornando Chicago na obra intemporal que é hoje. E é impossível resistir às canções e de as traulitarmos com frequência, ficando gravadas nos nossos ouvidos, nas nossas mentes e nos nossos corações. Ladies and gentlemen, and all that jazz!

Chicago Critica de Cinema

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Título: Chicago

Título Original: Chicago

Realização: Rob Marshall

Elenco: Renée Zellweger, Catherine Zeta-Jones, Taye Diggs, Cliff Saunders, Dominic West, Jayne Eastwood, Roman Podhora, John C. Reilly, Colm Feore, Chita Rivera, Queen Latifah, Susan Misner, Denise Faye, Deidre Goodwin, Mya, Richard Gere, Christine Baranski, Lucy Liu.

Duração: 113 min.

Trailer | Chicago

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