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Crítica: Dirty Pretty Things (2002)

Dirty Pretty Things Critica de Cinema

CONTÉM SPOILERS DE DIRTY PRETTY THINGS!

Antes de ser o aclamado criador de Peaky Blinders, Steven Knight foi nomeado ao Óscar pelo argumento original de Dirty Pretty Things. Foi daqueles filmes que me passou ao lado numa altura em que o cinema estava numa fase bastante rica. Dirty Pretty Things acompanha Okwe e Senay, dois imigrantes ilegais que tentam ganhar a vida ao trabalhar diferentes turnos em diferentes trabalhos, no entanto, possuem um em comum: um hotel pomposo no centro de Londres. Mas enquanto verifica um dos quartos, Okwe depara-se com um coração humano dentro de uma sanita e depressa descobre que este hotel esconde mais segredos do que aparenta.

Dirty Pretty Things Critica de Cinema

Dirty Pretty Things é um filme muito competente, onde Knight é criativo em elaborar todo um mundo criminal ao mesmo tempo que tenta infiltrar-se nas emoções humanas mais complexas. O background das personagens é bastante apelativo e elas possuem diversas camadas que as tornam extremamente interessantes. Chiwetel Ejiofor, Audrey Tautou, Sophie Okonedo e Sergi López acabam por arrancar os louros desta produção, ainda que Dirty Pretty Things tenha um defeito gigantesco e que não o torna numa obra de culto. Knight tem uma escrita que, tanto é envolvente, como tenta a todo o custo aproximar-se de uma americanização blockbusteriana que simplesmente não lhe assenta. Dirty Pretty Things sucumbe às ambições do seu argumentista por manipular a sua forma linear de “resolver as coisas”, por assim dizer. O terceiro ato do filme revela facetas demasiado repentinas para personagens que não estão moralmente construídas para seguirem essa direção.

É uma faceta de Knight que prejudica imenso Dirty Pretty Things no seu todo, já que os dois primeiros atos são credíveis e intensos por perfurarem os aspetos mais difíceis das vidas de Okwe e Senay. Para além de não seguir o final cliché (que é outro ponto a favor), o filme tem uma realização interessante de Stephen Frears, já que Okwe é a figura central, mas não é um herói convencional. Há todo um reportório que torna Okwe uma personagem noir e Ejiofor é fantástico e Frears sabe perfeitamente como o guiar na sua jornada. A doce Amélie Audrey Tautou também surpreende como uma imigrante turca em busca de um lugar onde se sentir integrada. Mas, para mim, quem rouba todos os holofotes é Sophie Okonedo numa personagem subexplorada que conquista em todo o seu curto tempo de antena.

Dirty Pretty Things Critica de Cinema

Mesmo que Dirty Pretty Things não seja um trabalho totalmente ciente do rumo que quer tomar, é um filme que inquestionavelmente tem construções argumentativas muito bem conseguidas e é um passo para Steven Knight conseguir o estatuto que alcançou até aos dias de hoje. No entanto, é notória a ambição mas também é evidente que Knight quer tornar-se algo transcendente e espalha-se constantemente em fazê-lo nos seus trabalhos mais recentes. Ainda assim, foi um começo interessante e diferente para o que estamos habituados deste autor.

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Título: Estranhos de Passagem

Título Original: Dirty Pretty Things

Realização: Stephen Frears

Elenco: Chiwetel Ejiofor, Deobia Oparei, Zlatko Buric, Audrey Tautou, Sophie Okonedo, Sergi López, Benedict Wong.

Duração: 97 min.

Trailer | Dirty Pretty Things

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