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Crítica: Luxor (2020)

Luxor Crítica de Cinema

PODE CONTER SPOILERS DE LUXOR!!!

Costuma-se dizer que viajar costuma ajudar as pessoas, quer seja para limpar a cabeça de ideias do quotidiano, ou uma simples mudança de cenário. Não se pode negar que existe um certo misticismo em redor desta atividade de lazer, independentemente se se viaja para as metrópoles movimentadas ou para os locais mais exóticos. Pelo menos, é essa a ideia que se tira deste Luxor.

Hana é uma cirurgiã que costuma cobrir as zonas de guerra. Durante uma das suas licenças, ela decide viajar para a cidade de Luxor, no Egito, uma cidade que traz memórias do passado. Quando reencontra Sultan, um arqueólogo e ex-namorado, Hana começa a refletir sobre o seu passado.

Luxor é um daqueles filmes que nos convida para uma viagem imersiva. Pode ter alguns problemas em relação ao seu ritmo ou a ausência de uma história palpável, mas esses conceitos não são necessários dentro deste género. É um filme que nos apresenta um local e que nos convida pelas ruas e alguns marcos importantes.

É nesse contexto que Luxor se apresenta. Em vez de mostrar as praias idílicas ou paisagens exuberantes de outros filmes assentes nesta ideia imutável, a cidade de Luxor ganha o seu charme através da fotografia de Zelmira Gainza, rica em detalhes e de expansão panorâmica. Consegue, de um momento, maravilhar-nos com algumas das descobertas arqueológicas do Vale dos Reis; no outro, consegue comunicar o que as personagens possam pensar através das suas expressões faciais.

E no centro de tudo, existem as personagens que habitam o filme. A protagonista é Hana que, depois de uma série de experiências nocivas, regressa a Luxor como se quisesse esquecer dos traumas e respirar por uma vez. Andrea Riseborough tem vindo a provar o seu talento em anos recentes. E embora esta esteja mais desfocada, a atriz embrenha-se nesse silêncio, deixando as suas palavras e expressões faciais a fazerem o trabalho normalmente imposto aos diálogos. É uma performance subtil, mas não menos sólida. Em contraste, Karim Saleh traz um certo charme ao seu Sultan, sem nunca cair no estereótipo do “ex charmoso”. É uma simpatia, mas também atormentado por erros do passado e que busca por um novo sentido na vida.

Se os dois, por si só, são brilhantes, é quando estão emparelhados que Luxor reluz brilhantemente. É impossível negar a sua química aqui neste filme, que nos oferece momentos verdadeiramente genuínos. Têm alguns altos e baixos no curso do filme, mas as suas interações entre si e alguns postos de arqueologia acaba por surtir resultados francamente positivos.

Luxor não é um filme para todos, especialmente se ligam particularmente às ideias de ritmos demasiado lentos que o habitual ou a ausência de uma história clara e tangível. No entanto, se apreciam uma viagem em busca do “próprio”, encontrarão neste filme independente algo diferente.

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Título: Luxor

Realização: Zeina Durra

Elenco: Andrea Riseborough, Karim Saleh, Michael Landes

Duração: 85 minutos

Trailer | Luxor

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