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Crítica: Misbehaviour (2020)

Misbehaviour Crítica de Cinema

PODE CONTER SPOILERS DE MISBEHAVIOUR!!!

A luta pela igualdade de direitos tem sido uma que tem persistido durante muito. Tem feito um maior impacto em anos recentes, claro, mas as atitudes de décadas de antes serviram de alicerces para os movimentos modernos. Misbehaviour coloca o destaque a um desses eventos.

Baseado em factos verídicos, Misbehaviour centra-se num grupo de mulheres, os seus conflitos e dramas, que culminaram na perturbação da transmissão do concurso da Miss Mundo em 1970.

Criar um filme sobre o movimento feminista consegue ser um tremendo desafio para muitos, especialmente porque não são muitos que conseguem demonstrar a complexidade desta material social. Infelizmente, Misbehaviour não irá mudar as mentalidades (falarei disso um pouco mais à frente), mas pelo menos sabes como proporcionar um tempo bem passado.

Filmes sobre o movimento feminista costumam ser bastante sérios (e bem merecidos), portanto é certamente uma lufada de ar fresco que o filme conte com uma vertente humorística subtil, mas não menos presente. Mas pelo menos tem a sabedoria de separar o que é brincadeira com a seriedade, ainda que os momentos mais dramáticos não tenham a garra desejada.

Com um filme assim, Misbehaviour reúne um elenco de caras conhecidas do entretenimento britânico, e estes raramente desiludem! Nomes como Keira Knightley, Gugu Mbatha-Raw, Jessie Buckley, Rhys Ifans ou Greg Kinnear dão o ar de sua graça com performances que, embora não sejam tão fenomenais quanto se possa pensar, conseguem captar a nossa atenção do princípio ao fim.

Há que destacar, também, o guarda-roupa visto no filme. É interessante como as peças de roupa conseguem trazer-nos diretamente para os anos 70, variando entre o simples do quotidiano até ao mais extravagante, passando ainda pelo medianamente provocador.

Infelizmente, o guião de Misbehaviour pode ser visto como o seu maior Calcanhar de Aquiles. A maior parte do filme centra-se no ponto de vista de Sally Alexander (Knightley) e de como as suas próprias experiências com um mundo dominado por um sujeito que não se importa muito com as mulheres a motivaram a tomar as atitudes que tomou. Infelizmente, esse mesmo destaque não é alargado para as suas colegas de elenco, que não são tão aprofundadas como o desejado.

Essa separação torna-se ainda mais evidente quando o filme muda o ponto de vista para as Misses. Tal como tinha mencionado acima, Gugu Mbatha-Raw é um dos claros destaques do filme, mas esta limitada com o pouco que lhe é oferecido. O mesmo se aplica às outras, o que traduz numa espécie de desperdício de comentário importante em prol de figuras bonitas. Basta pensar no exemplo da Miss Sul de África, que podia servir de rampa para a questão sobre o apartheid que se viveu na África do Sul até às década de 90. Infelizmente, não passa mais do que um comentário que não é aprofundado.

Misbehaviour está longe de ser um dos filmes essenciais sobre o movimento feminista (muito menos pode ser considerado como um dos melhores filmes do ano). Dito isto, não se pode negar que consegue entreter. Não é um filme especial, mas pelo menos consegue agarrar-nos do início ao fim.

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Título: Mulheres ao Poder

Título Original: Misbehaviour

Realização: Philippa Lowthorpe

Elenco: Keira Knightley, Greg Kinnear, Jessie Buckley, Rhys Ifans, Keeley Hawes, Lesley Manville, Phyllis Logan, Gugu Mbatha-Raw

Duração: 106 minutos

Trailer | Misbehaviour

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