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Crítica: Godmothered (2020)

Godmothered Crítica de Cinema

PODE CONTER SPOILERS DE GODMOTHERED!!!

O conceito das fadas madrinhas tem estado presentes em vários contos infantis durante a nossa infância. São entidades que, em momentos de grande adversidade, ajudam as heroínas a encontrar o seu “felizes para sempre”. Esse mesmo conceito pode ser vistos em adaptações desses contos para o grande ecrã, com o clássico Cinderella a ter o maior destaque. E é esse mesmo conceito que é revisitado neste Godmothered.

Eleanor é uma fada-madrinha-em-treino que deseja espalhar o “felizes para sempre”, um sentimento que não é partilhado pelas suas colegas, já que o mundo parece não precisar delas. De forma a poder provar o seu valor, Eleanor arrisca e aceita uma missão de concretizar o desejo de uma menina de dez anos, Mackenzie. O senão: Mackenzie cresceu.

Deixem-me começar logo pelo óbvio: Godmothered está a léguas de ser extraordinário. E existem vários fatores que contribuem para esse verídicos. Um deles, e o mais aparente, reside no seu guião, que parece obedecer a uma fórmula já desgasta dentro deste género. Personagem com vontade de provar as suas capacidades encontra alguém que se perdeu na vida, envolvem-se em peripécias, aproximam-se, afastam-se, reúnem, final feliz. Não é uma fórmula inédita que não traz consigo imensas surpresas, infelizmente; aliás, tende a replicar algumas ideias já vistas num outro filme da Disney, Enchanted.

E embora a sua narrativa seja já bastante familiar, pelo menos ganha por tentar algo diferente no seu ato final. Enquanto Enchanted deu a volta com o conceito do “único verdadeiro amor”, Godmothered também atinge esse efeito pela via do “felizes para sempre”, delineando que o amor à nossa volta não se restringe apenas ao amor “tradicional” dos contos de fadas; reside no amor pelos nossos familiares, amigos e amados, independentemente da etnia, orientação sexual ou mesmo a distância. Não redime por completo um guião banal, mas ganha admiração por tentar algo diferente.

O guião oferece-nos uma história familiar, sim, mas também sacrifica as suas personagens que a habitam, não saindo dos seus arquétipos e, quando se aventuram por novos trilhos, acabam por arrancar reações já familiares. Isto também se traduz numa prestação coletiva adequada por parte do elenco, no sentido de não terem más interpretações, mas também não chegam a níveis surpreendentes. Jillian Bell e Isla Fisher já provaram melhores capacidades em filmes anteriores, mas não deixam de mostrar um tom mais leve.

O aspeto gráfico e visual também consegue fazer-nos coçar o couro cabeludo. O guarda-roupa, em específico, merece o apreço possível, especialmente na vestimenta exagerada (mas adorável) de Eleanor, no sentido de mostrar visualmente a ideia de esta ser uma autêntica fada-madrinha (ainda que esteja “em treino”), e esse carinho também se estende para as outras vestimentas, algumas fantásticas, outras adequadas. Só não esperem é efeitos visuais de renome; este é um filme para toda a família, no fim e ao cabo.

Godmothered não irá constar na lista de muita gente, já que se trata de um produto banal sem espaço amplo para verdadeiras surpresas. No entanto, é impossível não se deixar contagiar pela boa energia que nos tenta transmitir. Só bem sabe que estamos a precisar neste momento.

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Título: Amadrinhadas

Título Original: Godmothered

Realização: Sharon Maguire

Elenco: Jillian Bell, Isla Fisher, Santiago Cabrera, Mary Elizabeth Ellis, June Squibb, Jane Curtin

Duração: 110 minutos

Trailer | Godmothered

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