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Crítica: Baby God (2020)

Baby God Critica de Cinema

CONTÉM SPOILERS DE BABY GOD!

A HBO tem lançado documentários de true crime praticamente a uma base semanal. Enquanto uns, como The Mystery of D.B. Cooper se mostram divertidos e que nos dão a conhecer histórias empolgantes, já Baby God, por muito boa premissa que tenha, espalha-se redondamente. Realizado por Hannah Olson, Baby God é um retrato identitário que se foca no Dr. Quincy Fortier, chefe de uma clínica de fertilidade, que utilizou o seu próprio esperma (sem o conhecimento dos alegados pais) para inseminar uma série de mulheres, desde os anos 60 até aos anos 80. Agora, os seus filhos começam a descobrir as suas origens e ficam chocados com a quantidade de meios-irmãos que têm espalhados pelos EUA.

Baby God Critica de Cinema

Baby God tinha um potencial incrível, já que a sua história parece saída de uma obra de ficção. É também um produto que podia ser estendido em formato televisivo, de forma a dar tempo de antena a todos os intervenientes e a entender as suas frustrações. A abordagem nunca pode ser linear, num registo que envolve demasiada genética e demasiadas mazelas psicológicas. A verdade é que Baby God é muito superficial e atrapalha-se nas suas motivações, não conseguindo explorar com profundidade suficiente o seu objeto de estudo. A sua curta duração é inimiga do seu sucesso.

A realização é muito prática, com recurso a pouca informação, e nota-se que há muito devaneio que não é verdadeiramente substanciado. Há também muitos intervenientes que merecem um destaque maior, e há muito pouco levantamento de filhos do Dr. Fortier que muito provavelmente têm direito a expor-se e a falar sobre o pesar da sua existência. Quer tenham sido contactados ou não, Baby God é um trabalho pobre de investigação e, dadas as questões identitárias em causa, devia ter aprofundado a sua matéria de estudo e não deixar pontas soltas. Sente-se que estamos a ver uma sinopse de algo muito maior do que a soma das suas partes.

Baby God Critica de Cinema

Há toda uma falta de balanço e equilíbrio entre a questão identitária dos filhos, com a moralidade em causa do que foi feito por este médico; para além de não conseguir explorar totalmente o conceito de predador quando, de facto, assim era necessário. Disfarçar-se de boas intenções não justifica os resultados. E camuflar-se perante “ajudar pessoas”, não é sinónimo de violar os seus direitos. Há tanto sumo em Baby God que é frustrante o resultado final, como um documentário pobre, perdido nos seus próprios objetivos e com muito pouca pesquisa e incidência em aspetos demasiado importantes. Fica-se também pelas boas intenções… mas não chega.

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Título: O Deus da Fertilidade

Título Original: Baby God

Realização: Hannah Olson

Duração: 77 min.

Trailer | Baby God

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