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Crítica: Undine (2020)

Undine Crítica de Cinema

PODE CONTER SPOILERS DE UNDINE!!!

As clássicas histórias de amor podem conseguir puxar pelos sentimentos da sua audiência, mas também não podemos negar que muitas começam a obedecer a uma estrutura fixa que dificilmente se desfaz ou reinventa. Undine, o filme que marca o regresso do realizador Christian Petzold ao cinema contemporâneo, é um dos poucos que consegue ser diferente.

O filme centra-se na titular Undine, uma historiadora que partilha a história do desenvolvimento urbano de Berlim a convidados dos vários cantos do mundo. Quando o seu namorado decide terminar a relação, Undine torna-se vítima de uma série de circunstâncias que fogem do seu controlo.

Petzold tem vindo a tornar-se num dos realizadores mais importantes do cinema alemão, com os seus filmes a abordarem algumas questões temáticas bem interessantes e contemporâneas (basta pensar no exemplo de Transit). Portanto, embora seja fora do comum ver os seus toques a serem usados numa história de amor, Undine tem marcas do realizador, o que lhe permite uma sensação mais única e diferente das demais.

Começando pelo guião, que pode deixar muita boa gente confusa. Por um lado, temos a vertente romântica que, apesar de ser um tanto ou quanto apressado, consegue surtir os seus resultados já esperados, dando-nos uma história doce, mas não menos repleta de drama e tragédia. Essa é a ideia principal, mas pelo meio o filme injeta uma ideia de uma mitologia ligada ao mundo aquático que deixa mais dúvidas do que respostas (se bem que uma pesquisa aprofundada pode dar uma boa resposta).

Entre o mistério da narrativa (que justamente poderá agradar a uns e desagradar a outros), temos também aqui performances fenomenais. Undine esteve presente no Festival Internacional de Cinema de Berlim, com Paula Beer a levar o único Urso de Ouro para a equipa. E vendo pela sua prestação, não é para menos, com Beer a interpretar a sua Undine com uma boa dose de mistério difícil de decifrar de início, mas que aos poucos vai cedendo e mostrar alguns momentos de vulnerabilidade emocional.

Essa evolução começa a sentir-se quando chega Christoph (aqui interpretado por Franz Rogowski, que contracenou com Beer no filme Transit), um mergulhador industrial que ficou apanhado por uma das palestras de Undine. A ligação entre ambos pode ser repentina, mas não deixa de ser satisfatória o suficiente para não deixarmos de torcer pelos dois. Eles merecem todo o crédito possível por carregarem o filme com as suas respetivas habilidades do início ao fim.

Para uma história simples, Undine também é uma maravilha da cinematografia. Embora simples aquando das filmagens em Berlim, os planos são fora do comum, o que imbui um certo misticismo e estranheza ao filme. Não são exatamente palavras que possamos encontrar num filme deste género, mas no fim e ao cabo, acaba por surtir o resultado desejado.

Undine não é perfeito, já que a sua ambiguidade permanente vai deixar muita gente com sentimentos de insatisfação. No entanto, se ignorarmos isso, o filme oferece-nos um romance genuíno que consegue escapar das armadilhas do costume.

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Título: Undine

Realizador: Christian Petzold

Elenco: Paula Beer, Franz Rogowski, Maryam Zaree, Jacob Matschenz

Duração: 91 minutos

Trailer | Undine

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