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Crítica: Vanguard (2020)

Vanguard Crítica de Cinema

PODE CONTER SPOILERS DE VANGUARD!!!

Durante os anos 80 e 90, Jackie Chan esteve à frente de alguns filmes de ação que, apesar de não serem nada de extraordinário, conseguiam entreter de forma leve (aliás, foi através desses filmes que Chan conseguiu angariar uma legião de fãs que continua em força, mesmo nos dias de hoje). Vanguard, a mais recente reunião entre Chan e o realizador Stanley Tong, poderia ser mais um marco positivo no cinema de ação chinês. No entanto, revelou-se como uma grande desilusão.

A Vanguard é uma empresa de segurança privada composta por ex-veteranos de guerra, liderados por Tang Huating (Chan). O grupo enfrenta um dos seus maiores desafios quando um contabilista de um criminoso de guerra torna-se num alvo.

Para todos os males, Vanguard é um daqueles casos em que nos perguntaríamos “como é que os filmes de Jackie Chan pareceriam com o orçamento astronómico atual?”. Isto para dizer que podem esperar bastante estilo, mas pouquíssima substância.

Parece que o filme concentra-se mais em oferecer vários set pieces, uns após os outros. E para os amantes do género, certamente encontrarão algo aqui para apreciar, seja pela coreografia dos combates e tiroteios, ou pelo trabalho de câmara que se encontra empregue. É um filme que se orgulha das suas sequências de ação, e bem devia!

Infelizmente, Vanguard acaba por pecar em tudo o resto. A história é praticamente ausente, saltando de sequência de ação após a outra, só dando algum contexto para vermos os heróis e vilões nos mais variados contextos possíveis. Isso não pode ser visto como um filme que tenha pés ou cabeça! Isto também se extende ao vasto elenco do filme, que é mesmo mauzinho! Mesmo que tenha Jackie Chan como “protagonista”, não o vemos tanto como gostaríamos, dando um maior ênfase no “sangue novo”. Pois bem, esse sangue novo desilude, estabelecendo uma determinada personalidade e não vai mais além disso. Os vilões têm o mesmo tratamento, não se preocupem!

E mesmo o aspeto técnico deixa imenso a desejar. Os filmes de antigamente, apesar de serem bastante over-the-top, tinham um certo nível de autenticidade ao recorrerem aos efeitos práticos. Os efeitos digitais chegaram longe, definitivamente; dito isto, o que Vanguard nos apresenta nesse sentido é do mais cartoonesco possível, já para não falar de nos dar a ideia que o filme precisasse de um alargamento do seu orçamento para polir esses efeitos. É que nem chega àquele patamar do “tão mau que é bom”. Ah, e claro, sem esquecer da pobre dobragem para outras línguas presentes do filme que, apesar de estarem melhor sincronizados, não deixam de ser tão maus que até dá vontade de rir!

Vanguard podia ter sido um regresso de ouro para Jackie Chan para a ribalta depois de uma relativa ausência, tal como tinha o potencial para ilustrar o talento da nova geração. Infelizmente, acaba por ser um filme que dá prioridade à ação em detrimento de tudo o resto.

Podem ler outras Críticas aqui.

Título: Vanguard

Realização: Stanley Tong

Elenco: Jackie Chan, Yang Yang, Lun Ai, Miya Muqi, Ruohan Xu, Jackson Lou

Duração: 107 minutos

Trailer | Vanguard

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