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Crítica: Jurassic World (2015)

Jurassic World Critica de Cinema

CONTÉM SPOILERS DE JURASSIC WORLD!

Depois dos resultados que ficaram aquém das expectativas, foram necessários 14 anos até à nova entrada do franchise pela mão de Colin Trevorrow. Jurassic World é um upgrade moderno de Jurassic Park e ergue-se dos escombros do primeiro filme. Os humanos voltaram a conseguir controlar temporariamente a ilha e a torná-la no parque temático dos sonhos de John Hammond, mas a ganância de quererem impressionar cada vez mais leva a InGen a criar um dinossauro híbrido de nome Indominous Rex que é mais inteligente do que todos esperavam. Ao conseguir escapar do seu cercado, o gigante começa a lançar o pânico e, mais uma vez, a vida encontra um caminho para escorraçar os humanos da sua nova casa.

Jurassic World Critica de Cinema

Jurassic World é um capítulo que recupera indubitavelmente a nostalgia dos filmes anteriores, com sequências de ação fogosas e que conquistam pela tecnologia de ponta, mas que perde nalguns aspetos. Apesar de todos os elementos parecerem assentar bem, o último ato do filme torna-se demasiado exagerado e faz com que todo o charme de Jurassic World se torne um pouco caricatural. A realização de Trevorrow é astuta ao explorar todo o worldbuilding em torno desta mudança atualizada do parque, preocupando-se com algumas particularidades tecnológicas que assentam que nem uma luva em todo o contexto. Para além disso, a apresentação de Owen Grady e de Claire, a gerente do parque, é feita de forma engraçada, aproveitando alguns toques de Indiana Jones com um charme corporativo. Esta mistura divertida de sangue novo com a nostalgia de uns anos anteriores, faz com que Jurassic World seja muito competente em transmitir com segurança todos os ensinamentos de Steven Spielberg enquanto mestre.

No entanto, mesmo que os efeitos visuais ajudem a tornar o filme mais moderno, há todo um elemento que se torna irrealista e os dinossauros acabam por parecer extremamente plásticos em determinadas alturas. Para além disso, o efeito cool desnecessário deste modernismo acaba por cortar um pouco com a seriedade com que Jurassic World deve ser levado. Os raptors, agora domesticáveis graças a Owen, acabam por desempenhar um papel fulcral no desenrolar do filme, sendo utilizados para combater o Indominous Rex. Este elemento, por muito diferente que possa ser e até trazer uns bons “yeahs!” cavalgantes, acaba por ser demasiado ambicioso e, quando o cenário muda de figura, o filme procura desesperadamente tratar estes raptors como heróis. A verdade é que isto compromete o realismo de seres que não têm uma consciencialização para discernir qual é o seu adversário e quem não é, sendo que este aspeto cool logo se torna inimigo de si mesmo no combate ao Indominous perto do fim.

Jurassic World Critica de Cinema

Apesar de ser um festim visual, os exageros que contribuem para que este Jurassic World se torne algo moderno e que apele às gerações mais recentes, leva a uma perda inequívoca de todo um processo criativo com base na robótica e na mecânica que tornou os filmes anteriores tão icónicos. Também não é propriamente uma boa ideia tornar Jurassic World num franchise devido à falta de inovação em termos narrativos. E esta aposta em “dinossauros híbridos”, por muito que entretenha, só revela a necessidade de os produtores quererem que isto continue e continue… como um fã incondicional de Jurassic Park, não deixo de ter um menino pequeno a gritar com entusiasmo dentro de mim, mas sou forçado a reconhecer as falhas e ter de ser realista quando é preciso. Ainda estou a pensar como é que Bryce Dallas Howard conseguiu correr por uma selva inteira de saltos altos… talvez esta seja até a maior proeza de um ator até aos dias de hoje! Um ponto mais a favor do filme!

Ainda assim, Jurassic World não deixa de ser uma aventura empolgante e, mesmo que este modernismo tenha prejudicado o envolvimento, há todo um outro conjunto de situações que funciona e que proporcionam um excelente serão. E há todo um trabalho interessante de realização e de progresso tecnológico que, de alguma forma, conquista. O filme seguinte, Jurassic World: Fallen Kingdom, reforça esta ideia de que a ambição do franchise foi a sua maior ruína, trazendo um filme desconexo, pouco coerente e que magoa todo o legado deixado até então. Jurassic World: Dominion chega em 2022 e promete ser a conclusão que precisávamos, especialmente porque os veteranos Alan Grant, Ellie Sattler e Ian Malcolm estarão de volta!

Jurassic World Critica de Cinema

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Título: Mundo Jurássico

Título Original: Jurassic World

Realização: Colin Trevorrow

Elenco: Chris Pratt, Bryce Dallas Howard, Irrfan Khan, Vincent D’Onofrio, Ty Simpkins, Nick Robinson, Jake Johnson, Omar Sy, BD Wong, Judy Greer, Lauren Lapkus, Brian Tee, Katie McGrath.

Duração: 124 min.

Trailer | Jurassic World

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