Cinema Críticas

Crítica: Falling (2020)

Falling Critica de Cinema

CONTÉM SPOILERS DE FALLING!

Viggo Mortensen. Um nome que irá para sempre ficar na minha memória. Um dos atores mais subvalorizados de Hollywood e um que tem “bichinhos carpinteiros” em tentar apetrechar a sua já vasta carreira. Mortensen sobe agora à cadeira de realização com este Falling, um conto trágico de um pai com demência e de valores conservadores e retrógrados, que pede ao seu filho homossexual para o tirar da sua quinta que já não consegue manter. Mas o comportamento volátil do pai faz com que a vida do seu filho se torne um verdadeiro inferno.

Falling Critica de Cinema

Falling é um produto interessante, mas que cai em certos exageros desnecessários. É um trabalho onde Mortensen consegue surpreender nalguns pontos, mas fracassa noutros. Enquanto a sua prestação e a de Lance Henriksen são extraordinárias, já a caracterização das personagens peca por exagerar nos tons e nas nuances que lhes são conferidas. A personagem de Henriksen e, atenção, quero deixar aqui uma nota importante, é demasiado embebida em exagero e de uma volatilidade que se torna incomodativa a longo prazo. A nota importante é que o ator é magnífico no seu papel, ainda que a personagem esteja escrita de forma demasiado extrema que chega ao ponto de se tornar irrealista. A verdade é que as boas intenções de Viggo estão por todo o lado, com uma mensagem bonita no meio de tanta crueldade… mas há aqui um certo dramatismo melodramático para efeitos práticos que prejudica o filme na sua credibilidade.

Para além das personagens secundárias não terem um desenvolvimento decente, Falling é um filme que explora uma relação explosiva entre um filho sincero e um pai que vive num mundo onde a opressão é a regra a seguir. Não quero menosprezar a ideia que Mortensen tem em retratar um dos motivos por que se torna difícil viver numa comunidade que não nos aceita como somos, pelo contrário… no entanto, para que isto se fique por algo mais realista, há que reduzir nos exageros e tornar as personagens um pouco mais credíveis. Lance Henriksen é um colosso no filme, e tudo gira em torno do mesmo – e a sua personagem é tão execrável que não merece mesmo simpatia nenhuma de ninguém – e Falling acaba por negligenciar o maior fator que é o de sensibilização e o de procurar estratégias para incentivar um clima de consciencialização. O problema da demência nunca é, também, muito claro, sendo ele constantemente disfarçado com algumas saídas catchy (e quase sempre insultuosas) da personagem de Willis, pai do protagonista.

Falling Critica de Cinema

Mas Falling é, para um primeiro exercício de realização, um bom caminho, ainda que não se mantenha totalmente forte durante toda a sua duração. Há toda uma simbiose performativa com o que é exigido, ainda que o filme seja muitas vezes exageradamente cruel desnecessariamente. Viggo Mortensen mostra-se uma estrela com E maiúsculo e não tem medo de arriscar em diferentes temáticas, mesmo que ainda esteja um pouco aquém de as compreender totalmente. Ainda assim, Falling não deixa de ter performances acutilantes e uma realização simples que tira proveito dos diálogos (sejam eles um pouco “fora de série”) e que não está preocupado em chocar. É um bom ponto de partida, mas é necessário um reforço e um estudo da temática que irá ser o foco de toda a história.

Mesmo assim, meu caro Viggo, não deixas de me surpreender e de desejar que a tua carreira continue a ser brilhante e a dar frutos!

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Título: Falling

Título Original: Falling

Realização: Viggo Mortensen

Elenco: Viggo Mortensen, Lance Henriksen, Sverrir Gudnason, Laura Linney, Hannah Gross, Terry Chen, David Cronenberg.

Duração: 112 min.

Trailer | Falling

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