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Fargo – Season Finale – 4ª Temporada

Fargo Season Finale

CONTÉM SPOILERS DE FARGO!

Depois do sucesso das temporadas anteriores, Fargo regressa para mais uma temporada de acontecimentos bizarros que, de alguma forma, perdem qualidade, mas não deixa de ter um carisma próprio que nos conquista. Muito se deve à escrita inteligente e mordaz de Noah Hawley, mas há certos aspetos que simplesmente não combinam na génese duma série que é capaz de se reinventar sem fugir muito à sua estrutura habitual. Durante anos, na cidade de Kansas, as máfias governaram o submundo. Depois de conquistarem a cidade aos irlandeses, é a vez dos italianos de liderarem o crime organizado; mas eis que um empreendedor afro-americano decide declarar guerra aos mesmos, desencadeando inúmeros eventos posteriores.

Fargo Season Finale
FARGO — Pictured: Chris Rock as Loy Cannon. CR: Matthias Clamer/FX

O MELHOR:

Fargo continua com aquela irreverência deliciosa que conhecemos.

É também uma série tão criativa em termos visuais que nunca cansa e que mantém algum do seu charme por não seguir uma linha narrativa linear, apostando nas suas personagens em situações caricatas e invulgares. Nesta temporada, há que dar mérito à prestação de Jessie Buckley (que definitivamente está numa excelente rampa de lançamento após prestações fantásticas em Chernobyl e I’m Thinking About Ending Things) e da jovem estreante Emyri Crutchfield. Elas são a alma que rebenta com as doses excessivas de testosterona e que tornam a temática da máfia menos cansativa.

Há também todo um trabalho sonoro fantástico, especialmente a composição de Jeff Russo ao criar ritmos diferentes em todos os episódios, tornando os momentos muito mais envolventes. O facto de Fargo ser prodigiosa em muitos aspetos e ser o objeto de amor do seu criador, faz com que seja fácil o espectador ceder a um charme muito particular e quase inédito em televisão. No entanto, esta temporada de Fargo tem alguns elementos que não combinam tão bem como nas anteriores, perdendo alguma seriedade que também é importante para não romper com as ironias subtis que até agora foram a sua alma.

Fargo Season Finale

O PIOR:

O humor tornou-se corriqueiro e demasiado explícito.

Fargo foi sempre uma série acarinhada por conter em si um humor que é negro e que encaixa na perfeição nas suas temáticas em torno de homicídios caricatos e personagens com uma certa dose de “labreguice”. É também uma sátira política e social fabulosa e que não tem medo de pisar determinados riscos para se tornar mais credível e entusiasmante.

Nesta quarta temporada, o protagonista Chris Rock (que é um comediante já conhecido) não tem, a meu ver, o carisma necessário para conduzir a temporada e o humor que rodeia esta ideia de uma máfia dos anos 40 e 50 começa a tornar-se muito evidente e à base de situações parolas e sem grande graça. Ao contrário das temporadas anteriores, Hawley acaba por espalhar-se também na interligação dos eventos e torna-se extremamente ambicioso nalguns momentos. Por vezes a simplicidade é melhor do que optar por um caminho mais ridículo. Por muito que a temática de Fargo o propicie em várias alturas, nota-se que o criador quer a todo o custo ridicularizar o crime organizado clássico e, infelizmente, nem sempre toma as melhores decisões.

No entanto, Fargo ainda tem alguns truques na manga e o seu carisma ainda está lá, mas caso continue, Hawley precisa de rever alguns dos aspetos que correram menos bem no decorrer desta para melhorar nas próximas que, espero eu, aconteçam.

Fargo Season Finale

Estado da Série: STAND-BY

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73%
Average Rating

Fargo regressa com uma temporada muito diferente do habitual e o resultado é um misto de charme residente com elementos novos que não lhe favorecem muito o estilo. Continua com algumas características deliciosas, mas começa a mostrar alguma ousadia desnecessária por parte do seu criador.

  • 73%

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