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Crítica: The Vigil (2019)

The Vigil Critica de Cinema

CONTÉM SPOILERS DE THE VIGIL!

Proveniente da Blumhouse, The Vigil é o novo filme de terror que, embora nos dê a conhecer aspetos novos, acaba por sucumbir um pouco às suas ambições. Na cultura judaica, há uma tradição fúnebre que consiste em quando falece um familiar, o seu corpo deve ser acompanhado durante uma noite inteira por um shomer (um guardião) para evitar que o mal se apodere do corpo e, assim, preparar a alma para ascender ao céu. Este shomer, por norma, é sempre um familiar ou um amigo próximo, mas na falta de, é sempre possível contratar um para passar a noite. The Vigil foca-se, então Yakov, um jovem judeu que está a passar por algumas dificuldades económicas e ainda não superou a perda do seu filho. Ele decide aceitar um trabalho como shomer, mas desconhece que, à sua espera, está uma entidade maligna que se recusa a abandonar o seu novo lar, e Yakov tem uma noite inteira pela frente…

The Vigil Critica de Cinema

The Vigil podia ser algo muito mais elaborado e trabalhado, já que, como puderam ler, a sua premissa até é interessante e invulgar. O facto de se distanciar duma temática banal, torna-o apelativo a longo prazo para vermos até que ponto a mente do estreante Keith Thomas consegue ir. No entanto, The Vigil acaba por se tornar exatamente aquilo que pretendia não ser, utilizando recursos baratos e tentativas frustradas de jump scares para nos deixar desconfortáveis. Para além de uma mistura muito bizarra de efeitos sonoros que não encaixam propriamente bem no contexto, o protagonista Dave Davis acaba por ser muito pouco carismático em carregar a película do início ao fim.

Mesmo que a sua premissa seja atraente e alguns desenvolvimentos acabem por despertar interesse, o filme prefere insistir nos elementos mais clichés do género de terror e acaba por perder toda a sua credibilidade. Para além disso, é notória a falta de orçamento, e certas sequências estranhas que envolvem o telemóvel, são praticamente nulas em surtir efeito. Para além disso, a sua história não é aprofundada em quase nada, ficando-se por ser quase um filme que utiliza uma informação cultural apenas para dar aquela ideia de que é um filme de terror inovador. Muito pelo contrário… este tipo de manipulação não resulta para quem está familiarizado com o género. Portanto, The Vigil tinha obrigatoriamente que marcar pela diferença, mas não o faz. Em vez disso, torna-se mais um filme de possessão demoníaca onde tudo é levemente explicado e entregue à banalidade de um género que está saturado de filmes como este.

The Vigil Critica de Cinema

Por muito que não deixe de sentir uma certa coragem do realizador estreante, The Vigil acaba por não conquistar na sua componente de terror, ainda que a sua temática seja, de facto, interessante. Fica ao critério de cada um, porque o cinema de terror acaba por ser um que todos vemos de forma diferente. Uns cativam-se mais por um tipo, outros por outro. Em termos cinematográficos, The Vigil tem algumas características interessantes, mais ainda por causa da sua invulgar premissa; no entanto, a ambição de querer elevar o filme a um patamar de maior escala, leva-o a perder-se nas suas motivações, para além de um protagonista que não tem garra suficiente para o conduzir.

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Título: A Vigília

Título Original: The Vigil

Realização: Keith Thomas

Elenco: Dave Davis, Menashe Lustig, Malky Goldman, Lynn Cohen, Fred Melamed.

Duração: 89 min.

Trailer | The Vigil

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