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Crítica: The Last Samurai (2003)

The Last Samurai Critica de Cinema

CONTÉM SPOILERS DE THE LAST SAMURAI!

2003 foi provavelmente o último ano dos grandes épicos… fantasiosos ou históricos… mas provavelmente um dos mais grandiosos para um género que poucos ousam tocar nos tempos que correm. The Last Samurai foi um desses grandes épicos. Um que é historicamente belo, extremamente bem realizado e uma mensagem que atravessa nações e gerações. Nathan Algren é um capitão que é recrutado pelas milícias japonesas para eliminar um temível samurai de nome Katsumoto que ameaça a modernização industrial do país. No entanto, capturado em batalha, Nathan aprende os costumes de uma civilização que pretende manter as suas tradições e os seus valores, aliando-se eventualmente à sua causa.

The Last Samurai Critica de Cinema

The perfect blossom is a rare thing. You could spend your life looking for one, and it would not be a wasted life.” Uma frase que simboliza muito nos tempos que correm. Talvez uma que atravessa os cânones do tempo… e uma que pode ser um ensinamento chave para encontrarmos um pouco de paz numa época em que ela parece longínqua. The Last Samurai é um épico fantástico. Uma obra-prima que engloba tudo aquilo que de melhor o cinema tem para oferecer. É um confronto entre a morte de uma tradição e a ascensão do modernismo. A última batalha para que a cultura não seja condenada a ser esquecida pelos avanços do tempo. Um remar contra a maré de algo que simplesmente não se pode vencer. The Last Samurai conta com uma das melhores prestações de Tom Cruise até à data, num papel que realça todo o seu talento e dedicação enquanto ator. Tem também um nomeado ao Óscar absolutamente infalível de nome Ken Watanabe que representa toda a essência de uma personagem que está preso a uma tradição, mas não estagna em mentalidade, procurando aprender como viver com o que é de fora e com valores distintos, representado pela personagem principal. Ambos os papéis completam-se numa viagem belíssima e de execução infalível para nos trazer uma das mensagens mais importantes para o ser humano. Acima de tudo, está a honra.

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O épico não tem apenas personagens deliciosas, mas tem também todo um trabalho absolutamente fenomenal de argumento, com citações que, como já mencionei, rompem com a intemporalidade do tempo. Diálogos que se cravam na nossa memória e lá permanecem e que, certamente, irão permanecer por gerações intermináveis de cinéfilos em construção. Todo o aspeto técnico de The Last Samurai é vertiginoso, com uma direção de fotografia magnífica, uma banda-sonora de Hans Zimmer palpitante e cenários e guarda-roupa que captam todos os diferentes backgrounds e culturas do Japão na época feudal. Com uma encenação de batalha empolgante, efeitos visuais que são aplicados devidamente e um ensaio das artes de luta samurai incrível, The Last Samurai é uma obra que se imortaliza na História do Cinema.

Não há como não tecer tantos elogios a um filme que tem, dentro de si mesmo, tanto para nos oferecer. Edward Zwick atinge o auge da sua carreira como realizador (já que os seus filmes seguintes começaram a perder algum carisma) e todo o trabalho investido em The Last Samurai é recompensado pelo carinho com que foi recebido pelo público mundial. Há todo um estudo e um empenho notáveis em trazer uma história que consegue abarcar toda uma metáfora sobre a vida e a importância da cultura e da tradição. Longe de exageros hollywoodescos típicos e tentativas fáceis de estereotipar as personagens, o filme justifica-se gradualmente para evitar que o público entenda que não há heróis nem vilões, mas sim o inevitável avanço do tempo e da evolução humana.

The Last Samurai Critica de Cinema

Ao rever The Last Samurai, é incrível a sensação de me apaixonar ainda mais por algo que já vi imensas vezes e parece que aprendo sempre algo de novo. O cinema que tem este poder é cinema que transcende a arte. É arte que é tão importante como respirar. Uma necessidade de me rever a mim mesmo nela e de tentar enquadrar-me nos ensinamentos que a vida me proporciona, mesmo que não use uma espada e vista um quimono. Os floreados épicos apenas estão lá para me fazer viajar para um tempo e um país onde isto teve a sua origem. E é uma viagem que não tem preço. Para terminar esta crítica que está a ser tão boa para mim mesmo, é de salientar que o cinema épico não precisa de morrer… quem me dera que ele não morresse. Mas a verdade é que este é um género que tem perdido sistematicamente para filmes de super-heróis ou epopeias de ficção científicas que são a modernização do cinema pipoca dos tempos que correm. Neste aspeto, sou um tradicionalista e o que me fascina é a preservação do cinema enquanto arte inspiradora e que arrisca em trazer histórias como esta.

Explorar culturas que influenciaram os tempos de agora. Ou que, pelo menos, deixaram a sua marca na História da Humanidade e que são sempre importantes de rever ou até mesmo de conhecer, porque o que é antigo pode continuar a ser importante para o novo. E o género épico do cinema não pode morrer com The Last Samurai e eu recuso-me a aceitar que não existam ainda mentes criativas das artes audiovisuais que consigam fazer com que este, não seja também o último épico.

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Título: O Último Samurai

Título Original: The Last Samurai

Realização: Edward Zwick

Elenco: Tom Cruise, Ken Watanabe, William Atherton, Chad Lindberg, Billy Connolly, Tony Goldwyn, Masato Harada, Timothy Spall, Shichinosuke Nakamura, Togo Igawa, Shin Koyamada, Hiroyuki Sanada, Shun Sugata, Koyuki, Sôsuke Ikematsu, Aoi Minato.

Duração: 154 min.

Trailer | The Last Samurai

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