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Crítica: Stage Mother (2020)

Stage Mother Crítica de Cinema

PODE CONTER SPOILERS STAGE MOTHER!!!

Não sabemos se têm vindo a notar, mas a indústria das artes performativas tem-se tornado um pouco mais aberta no que refere à inclusão não só de minorias raciais, mas também à inclusão de indivíduos das mais variadas orientações sexuais. Ainda não está no sítio certo, mas já se começa a notar numa diferença bastante clara nesta representações. Stage Mother é a mais recente obra do grande ecrã com um olho mais positivo.

Aqui, Maybelline é uma líder de um coro no Texas que recebe a trágica notícia da morte do seu único filho. Mas essa não é a única surpresa que lhe está reservada, já que Maybelline também recebe um drag club como herança!

Se tivermos a sinopse apenas como base, Stage Mother poderia ter sido um filme de comédia bastante simples e quase ofensivo em algumas áreas. Não deixa de ter o seu toque positivo, mas a história em si não deixa de ter bastantes limitações.

O próprio trajeto, que relembra a velha viagem do/a protagonista numa posição nada familiar, mas que acaba por se reencontrar e criar um rumo para a sua vida, não deixa uma grande margem para surpresas estonteantes. E embora o foco esteja num grupo de drag queens, o filme aventura-se por outros temas mais relevantes (como o abuso de estupefacientes ou violência sexual), mas infelizmente não se tem tempo suficiente para alongar nos mesmos.

No entanto, e apesar de alguns problema narrativos e na concepção de algumas personagens aqui presentes, Stage Mother tem no seu elenco alguns dos seus maiores trunfos, especificamente a prestação de Jackie Weaver. Embora a aceitação da cultura drag de forma repentina possa tirar algum realismo, é impossível não nos deixarmos de ficar encantados com a sua presença e conselhos, quase como se desejássemos uma mulher assim nas novas vidas. Não só isso, mas a sua experiência com as queens – e a melhor amiga do seu filho – Maybelline começa a desprender-se das suas amarras do Texas e tomar controlo da sua vida, de acordo com as suas regras. Não tem aquele edge, mas não deixa de ser uma performance doce e digna de reconhecimento.

A equipa técnica de Stage Mother também merece todo o apreço possível, com especial destaque para as várias vestimentas irreverentes que populam o filme (especialmente no trio de queens que têm maior destaque), mas o filme conta ainda com números musicais interessantes, tanto pela irreverência das coreografias como os intervenientes empregam os seus dotes vocais.

Stage Mother não é um filme que se pode dizer que seja inovador, especialmente na forma como aborda a cultura drag. No entanto, consegue entreter o suficiente com a sua onda inquestionavelmente positiva.

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Título: Stage Mother

Realização: Thom Fitzgerald

Elenco: Jackie Weaver, Lucy Liu, Adrian Grenier, Mya Taylor, Allister MacDonald, Oscar Moreno, Anthony Skordi, Jackie Beat

Duração: 93 minutos

Trailer | Stage Mother

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