Cinema Críticas

Crítica: Été 85 (2020)

Été 85 Critica de Cinema

CONTÉM SPOILERS DE ÉTÉ 85!

Ultimamente têm saído alguns filmes interessantes sobre a comunidade LGBTQ+ que, de facto, marcam um ponto de viragem para que histórias ricas possam finalmente ver a luz do dia. O realizador François Ozon, que já é um velho conhecido dos festivais de cinema, agracia-nos com o seu novo filme Été 85, uma história trágica de um rapaz que vê num “amigo” de verão, uma oportunidade de encontrar a sua eterna felicidade. Alex tem um acidente de barco em alto mar e é resgatado por David, um jovem atraente e de personalidade eletrizante. Deslumbrado com esta figura que o começa a incentivar a mudar de estilo de vida e a conhecer o seu meio, Alex apaixona-se e os dois vivem um breve romance, até David confessar as suas verdadeiras intenções.

Été 85 Critica de Cinema

Été 85 é um filme genuíno e com uma grande capacidade de compreensão. É um pouco apressado demais e devia ter aprofundado um pouco melhor a relação entre os dois protagonistas, para não parecer tão fortuito. No entanto, é um registo que fala sobre as dificuldades de um jovem gay em encontrar uma felicidade duradoura, num contexto em que ele próprio não sabe o que se avizinha. O amor platónico e o amor verdadeiro e o jogo de manipulação que, infelizmente, se instala nas entrelinhas desta relação. A história, baseada livremente no romance de Aidan Chambers, é extremamente acutilante e o ritmo acelerado acaba por resultar inicialmente, ainda que mais tarde comprometa o impacto da sua mensagem. Há também todo um elemento de thriller suave que, embora também não tenha tido o tratamento idílico, não deixa de nos agarrar ainda mais ao desenrolar do filme.

As personagens secundárias também carecem um pouco de camadas, mas é notória a intenção de Ozon em adornar um mundo de desconfiança e de não-aceitação que rodeia este romance homossexual. Tirando um overacting desnecessário por parte de Valeria Bruni Tedeschi, a cumplicidade e química entre os atores Félix Lefebvre e Benjamin Voisin é belíssima e acutilante. É com base nesta dinâmica entre ambos que Été 85 ganha todo um brilho diferente, e que o faz distanciar de obras similares. A despretensão de Été 85 acaba por dar frutos, tornando-o num filme simples e com uma mensagem poderosa. Mesmo que a sua temática merecesse um aprofundamento maior, o filme tem o coração no sítio certo e leva o espectador a sentir-se extremamente bem com paisagens quentes e um ritmo sedutor que paira em quase toda a sua duração.

Été 85 Critica de Cinema

Tal como o seu filme anterior Swimming Pool, François Ozon gosta de simplificar quando podia muito bem tornar o efeito dramático ainda mais intenso, para que houvesse uma maior relação do espectador com as personagens e com as suas dificuldades de expressão que têm. Ainda assim, Été 85 é um filme extremamente bom, com prestações agradáveis e interações ritmadas entre personagens, mesmo que tenha defeitos que acabam por não permitir que se torne totalmente memorável.

Leiam outras Críticas aqui.

Título: Verão de 85

Título Original: Été 85

Realização: François Ozon

Elenco: Félix Lefebvre, Benjamin Voisin, Philippine Velge, Valeria Bruni Tedeschi, Melvil Poupaud, Isabelle Nanty.

Duração: 100 min.

Trailer | Été 85

Comments