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Crítica: Black Beauty (2020)

Black Beauty Crítica de Cinema

PODE CONTER SPOILERS DE BLACK BEAUTY!!!

Adaptações de obras literárias para o grande ecrã não são novidade; no entanto, torna-se mais do que aparente que existem alguns que são mais adaptados que outros. Black Beauty, uma obra que data desde os finais do século XIX, teve direito a inúmeras adaptações ao grande ecrã, com qualidades diferentes. Portanto, era uma questão de tempo até a obra entrar nas nossas vidas com uma direção. E perto do findar de 2020, a Disney+ entregou-nos mais uma adaptação!

Nesta versão modernizada, Black Beauty é uma égua mustango que é capturada e vendida por um tratador de cavalos afável. É neste contexto que Beauty conhece Jo, uma adolescente que enfrenta um trauma complicado. E juntas, estas enfrentarão um mundo bastante complicado.

Para os amantes dos animais e dos defensores dos direitos dos mesmos, Black Beauty é um produto que deixa um travo amargo. Não entendam de forma errada; a narrativa, a cargo de Ashley Avis, mantém-se fiel à ideia do livro – o recontar de vivências a partir do ponto de vista de um cavalo -, ao mesmo tempo que o traz para a era moderna numa tentativa que renovar interesse para as novas gerações. As intenções são boas, mas não chegam.

A maior fatia do filme reside na ligação entre Beauty e Jo, especialmente quando estas se unem para ultrapassarem os seus respetivos traumas. Infelizmente, o filme lança a ideia de Beauty interagir com novos donos nos seus mais variados feitios, mas mesmo estes não têm direito a um tempo de antena justo. Porque de resto, o filme praticamente reproduz o que já vimos anteriormente em filmes em que vemos humanos a criarem laços profundos com animais. Ainda há momentos em que o filme aborda alguns temas relacionados com maus tratos e abusos, mas não dá muito avanço com essas ideias.

Mesmo a níveis performativos, Black Beauty deixa a desejar. Tirando, certamente, a prestação de Kate Winslet como a consciência da égua titular, que parece atirar-nos para uma história infantil com uma égua como protagonista, e mesmo que se encontre apenas com a sua voz, a sua dor, alegria, tristeza e raiva são palpáveis; infelizmente, o mesmo tipo de profundidade não se regista nos protagonistas humanos, que parecem não querer sair da cepa torta. O facto de incluir nomes sonantes como Mackenzie Foy ou Iain Glen em papéis deste género apenas reforça essa ideia de desperdício.

Pelo menos, Black Beauty é um filme que se pode dizer que é bonito de se ver. Conta com uma fotografia esmerada, e esses momentos pautados pela música de Guillaume Roussel é uma ajuda sempre bem-vinda.

Black Beauty pode não ser tão mau quanto possam imaginar. No entanto, não esperem daqui um conto intemporal. Tem os seus bons momentos, mas estes não mascaram os problemas a nível da sua narrativa; simplesmente não consegue sobressair-se entre outras versões do conto ou de outros filmes que exibem esta ligação entre o homem e o cavalo.

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Título: Beleza Negra

Título Original: Black Beauty

Realização: Ashley Avis

Elenco: Kate Winslet, Mackenzie Foy, Iain Glen, Hakeem Kae-Kazim, Calam Lynch

Duração: 110 minutos

Trailer | Black Beauty

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