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Crítica: El Cuaderno de Tomy (2020)

El Cuaderno de Tomy Critica de Cinema

CONTÉM SPOILERS DE EL CUADERNO DE TOMY!

A Netflix comprou os direitos de distribuição do filme argentino El Cuaderno de Tomy, que é baseado na história verídica de María, que sofre de cancro terminal, e que decide escrever um caderno para o seu menino de três anos Tomy, a falar sobre aspetos importantes da vida. Foi uma história que comoveu a Argentina e o realizador Carlos Sorin adaptou-a para o ecrã, num misto dramático que não conquista no seu todo nem consegue ser emocionante como muitas obras do género.

El Cuaderno de Tomy Critica de Cinema

El Cuaderno de Tomy é doce, claro… não fosse pela sua sinopse. É um filme com um coração adorável mas afoga-se numa frieza nos seus rebordos, acabando por não conquistar totalmente. As prestações são, de facto, muito boas, lideradas por Valeria Bertuccelli que acaba por levar os louros da película. É também na compreensão de que a morte da sua personagem é iminente que a prestação ganha ainda mais força, tornando-se credível e uma lufada de ar fresco que se distancia de obras mais melodramáticas como The Fault in Our Stars ou My Sister’s Keeper. No entanto, um fator que é essencial é criar empatia emocional com o espectador e, por muito boa que a prestação da atriz seja, todo o restante material de El Cuardeno de Tomy acaba por não conseguir esse feito.

Isto tem a ver com o facto de Sorin ter optado por reduzir o seu filme a uma duração muito curta e por encurtar os momentos de Tomy com a sua mãe. E, se lermos o título, sabemos que Tomy é um dos maiores focos de María para se agarrar à sua vida. Talvez este distanciamento emocional fosse propositado, mas faz com que El Cuaderno de Tomy perca força dramática. É nesta ligação que devíamos ter já enxertado dois ou três pacotes de lenços, assoar-nos com frequência e rezar para que o filme termine rapidamente para ninguém ver a nossa cara num estado lastimável… não é isso que acontece e o resultado é um filme que tem uma premissa bonita, mas é superficial em transmitir sentimentos.

El Cuaderno de Tomy Critica de Cinema

Os tearjerkers são bons quando conseguem apostar numa narrativa fresca e apelar àquelas ligações que sabemos nós são mais fortes do que diamante. E El Cuaderno de Tomy prometia ser isso mesmo, ainda que se tenha ficado apenas por ser mais um filme dramático com uma ideia emocional e uma concretização gélida e sem grande sabor. É pena, porque a história em si foca-se numa mãe no leito da morte a escrever um pequeno exercício de vida para o seu filho e, na sua fase mais derrotista, é quando as emoções e os sentimentos deviam brotar das letras que vai escrevendo. Não é o caso… para nossa tristeza maior.

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Título: Um Caderno para o Meu Filho

Título Original: El Cuaderno de Tomy

Realização: Carlos Sorin

Elenco: Valeria Bertuccelli, Mónica Antonópulos, Paola Barrientos, Mauricio Dayub, Diego Gentile, Ana Katz.

Duração: 86 min.

Trailer | El Cuaderno de Tomy

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