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Crítica: Uncle Frank (2020)

Uncle Frank Critica de Cinema

CONTÉM SPOILERS DE UNCLE FRANK!

Já mencionei algumas vezes nas minhas críticas que a arte do cinema não tem necessariamente que nos tocar a todos da mesma forma. Como a arte é subjetiva, podemos fazer análises mais analíticas ou até mais emocionais, porque tudo isso advém de como ela nos toca. Uncle Frank é uma pequena pérola sobre aceitação e que, dentro das suas convenções aclichezadas, é um filme bonito e com uma mensagem extraordinária. Em 1973, Frank Bledsoe e a sua sobrinha de 18 anos iniciam uma jornada até à sua terra natal para que Frank tenha coragem de se assumir perante a sua família e de chorar a morte do seu opressivo e retrógrado progenitor. Nisto, o amante de Frank, Wally, também se junta a esta demanda e o resultado é composto por altos e baixos que não deixam de ser importantes e relevantes nos tempos que correm.

Uncle Frank Critica de Cinema

Uncle Frank é um filme que é realizado e protagonizado com carinho. É uma história importante para a comunidade LGBTQ+, ainda que com clichés demasiado óbvios e com um final algo fantasiado um pouco apressado demais. Não deixa de ser uma homenagem bonita e pintada com performances excelentes de Paul Bettany, Sophia Lillis e Peter Macdissi. Existem poucos filmes que conseguem ser tão adoráveis e tão progressistas numa época que, infelizmente, ainda parece demasiado próxima nos tempos que correm. Uncle Frank é escrito e realizado por Alan Ball, que conhecemos de American Beauty e das séries Six Feet Under e True Blood, e mesmo não sendo uma obra-prima, aquece-nos o coração com a sua mensagem poderosa.

Claro que há todo um processo criativo muito familiar por esta altura e, como mencionei em cima, o final é demasiado “fairytale like” e apressado quando podia explorar algumas das características mais importantes de toda uma situação semelhante. Ainda que isso ajude a que o espectador se envolva ainda mais emocionalmente com o filme, Uncle Frank poderia também adornar a sua temática com mais circunstâncias e aprofundar ainda mais as dificuldades de aceitação dos intervenientes. No entanto, talvez no sentido mais pragmático da coisa, o filme resulte bem por ser simples e não procurar ser demasiado negro e sombrio quando não há necessidade de recordarmos tanto a parte má das nossas vidas, como devemos celebrar as boas. E talvez seja por isto que Uncle Frank polarizou tanto a crítica em geral.

Uncle Frank Critica de Cinema

Para mim, é um filme bonito, com uma mensagem importante e onde temos talento e sensibilidade para abordar uma temática que, infelizmente, ainda é vista com muito mau olhado nos tempos que correm. Portanto, se querem um bom serão para esta semana ou fim-de-semana, Uncle Frank é altamente recomendável.

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Título: O Tio Frank

Título Original: Uncle Frank

Realização: Alan Ball

Elenco: Paul Bettany, Sophia Lillis, Peter Macdissi, Steve Zahn, Judy Greer, Margo Martindale, Stephen Root, Lois Smith.

Duração: 95 min.

Trailer | Uncle Frank

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