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Crítica: Stardust (2020)

Stardust Critica de Cinema

CONTÉM SPOILERS DE STARDUST!

David Bowie. O Camaleão do Rock. Um vulto icónico da música mundial. Um astro incompreendido numa era de revolução. Todos os conhecemos e todos estamos ainda a recuperar da sua recente partida. Não era de prever que começassem a chegar os primeiros biográficos de uma figura tão adorada e emblemática pelo mundo inteiro. Stardust é o primeiro filme sobre a sua vida e foca-se na primeira viagem do cantor aos EUA em 1971, onde este ganhou inspiração para criar um dos seus muitos alter egos: Ziggy Stardust. Este pequeno capítulo realizado por Gabriel Range é um exercício superficial e algo redundante, com performances competentes, mas sem aquele travo místico que rodeia esta aura tão genuína de Bowie.

Stardust Critica de Cinema

Stardust acaba por ser um misto de desilusão com o reconhecimento óbvio da dedicação performativa dos atores em questão. A verdade é que Stardust tem uma abertura que promete algo mais do que realmente o filme nos entrega. É uma obra que não consegue explorar de forma aprofundada a psique de David Bowie, nem faz um estudo metafísico sobre o processo criativo que era tão radical do astro do rock. Acaba por ser um filme pouco substancial, muito no registo dos recentes Bohemian Rhapsody e Variações. Sentimos que é demasiado pouco o que é contado sobre alguém que marcou tanto pela diferença na sua arte.

O ator Johnny Flynn é extremamente competente e os secundários Marc Maron e Derek Moran também estão bastante bem nos seus papéis. Mas todo o resto acaba por não lhes fazer justiça… é um esforço demasiado linear e não há uma sensibilidade em procurar algumas particularidades intensas da persona do seu objeto de estudo. Talvez este primeiro capítulo não devesse focar-se em algo tão genuinamente desinteressante, mas sim contornar a situação de road movie para algo mais emocional e que se centrasse nas capacidades criativas e inspiracionais que deram origem ao clássico Ziggy Stardust e à sua música.

Stardust Critica de Cinema

É pena que um biográfico tão ansiado se torne num objeto tão pobre e tão desprovido de vida, mesmo que os atores se esforcem bastante em tentar dar realismo e credibilidade às figuras que interpretam. Da mesma forma que nos anteriores o mesmo acontecia com os atores, é necessário fazer um trabalho mais incidente sobre o aspeto que torna estas celebridades humanas e de todo o percurso atribulado das suas vidas que originaram os génios que mais tarde se tornaram. Stardust roça minimamente a superfície e remove alguns elementos fantásticos que eram essenciais para compreendermos a mente de Bowie e da urgência em dar realismo aos seus alter egos.

Mesmo que não me tenha conquistado e ter sido uma desilusão, não consigo, de todo, desvalorizar o trabalho de atores que, de alguma forma, eleva o filme a algo um bocadinho superior do que a total mediocridade. Portanto, Stardust fica aqui com um ligeiro apreço, mas é um filme que não tem capacidade para nos conquistar a nenhum nível.

Stardust Critica de Cinema

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Título: Stardust

Título Original: Stardust

Realização: Gabriel Range

Elenco: Johnny Flynn, Marc Maron, Jena Malone, Derek Moran, Anthony Flanagan, Julian Richings, Aaron Poole.

Duração: 109 min.

Trailer | Stardust

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