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Crítica: Hillbilly Elegy (2020)

Hillbilly Elegy Critica de Cinema

CONTÉM SPOILERS DE HILLBILLY ELEGY!

Ok… eu sei que a crítica arrasou por completo esta obra de Ron Howard e entendo, até certo ponto o porquê, mas há certos aspetos que é impossível negar e que, de alguma forma, não o tornam o filme deplorável que tanto pintaram. J.D. Vance publica a sua memória sobre a atribulada vida que levou enquanto criança com uma mãe fora de controlo devido ao vício de droga e da forma como foi resgatado pela sua avó temperamental. O filme acaba por ter traços comoventes, ainda que se perca em tentar entregar uma resposta para que o público sinta um apelo a tentar ajudar nas situações disruptivas da vida de J.D..

Hillbilly Elegy Critica de Cinema

Hillbilly Elegy tem dois aspetos extraordinários e inegáveis e que são a alma de toda a sua composição: Glenn Close, Amy Adams e Gabriel Basso e uma banda-sonora extraordinária a cargo do colaborador habitual de Howard Hans Zimmer e de David Fleming. Estes são os trunfos que Hillbilly Elegy tem a seu favor e, sem sombra de dúvida, que são a essência que rege a sua força maior. A verdade é que a cultura hillbilly não é propriamente vista com bons olhos numa América dividida e em constante ebulição étnica e muito se deve aos seus valores conservadores e de temperamento descontrolado. É uma época complicada de lançar um filme deste género e de ele ser apreciado como uma obra digna. O filme tem os seus defeitos maiores ao afunilar a sua visão em torno da personagem de Adams que, por muito boa prestação que tenha, acaba por cair numa desgraça constante sem que o espectador consiga entender o porquê de não haver um esforço maior em tentar amenizar estas downfalls da personagem.

Isto faz com que, de certa forma, Hillbilly Elegy seja algo redundante na sua abordagem… mas é quando se foca no protagonista e na relação com a sua avó que o filme ganha uma nova vida e consegue reerguer-se das suas falhas, ainda que seja numa fase mais tardia e não consiga conquistar na sua totalidade. É também um filme que tem defeitos a nível estrutural e tenta incluir demasiados tipos de problemas quando devia ter uma linha de raciocínio mais prático no seu todo. No entanto, é impossível descredibilizar as suas qualidades enquanto produto cinematográfico, já que o argumento, embora instável de Vanessa Taylor, ainda consegue criar alguns momentos magníficos em toda a sua duração.

Hillbilly Elegy Critica de Cinema

Hillbilly Elegy é uma obra desfasada e que dificilmente encontrará um público que a veja na sua totalidade como um produto que tem uma mensagem bonita a reter. A meu ver, a sua maior intenção é dizer-nos que não importa de onde viemos ou pelas dificuldades que passámos (tenhamos nós a etnia que tivermos), há sempre uma forma de lutarmos pelos nossos sonhos e pelas nossas ambições e é essa força que traz resultados positivos no futuro. Sem trabalho e sem força de vontade nunca conseguimos desprendermos da nossa zona de conforto e, num cenário egoísta, ingrato e infelizmente circunstancial, por vezes a esperança desvanece… mas é nesta força interior de mudança que os frutos são colhidos. Portanto, Hillbilly Elegy não é o filme terrível que pintam e, embora também não seja grandioso, é um exercício que tem uma mensagem clara e um que, dentro dos seus defeitos, ainda tem alguns aspetos interessantes a dar ao seu público.

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Título: Lamento de uma América em Ruínas

Título Original: Hillbilly Elegy

Realização: Ron Howard

Elenco: Amy Adams, Glenn Close, Gabriel Basso, Haley Bennett, Freida Pinto, Bo Hopkins, Owen Asztalos.

Duração: 116 min.

Trailer | Hillbilly Elegy

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