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Crítica: Lost Girls (2020)

Lost Girls Critica de Cinema

CONTÉM SPOILERS DE LOST GIRLS!

Já andava com uma certa curiosidade para ver este filme tão comentado da Netflix. Tanto que fui pesquisar a sua história real e fiquei ainda mais impressionado! A história de Lost Girls acompanha Mari Gilbert, cuja filha desapareceu sem dar rasto, até que no mesmo local onde há suspeita de ela ter desaparecido, quatro cadáveres de profissionais do sexo emergem e que levam Mari a tomar medidas por si mesma.

Lost Girls Critica de Cinema

Lost Girls é um filme que adorava poder dizer que ficaria com estatuto de culto se o argumento permitisse que a sua história se prolongasse por mais tempo. A verdade é que Amy Ryan tem aqui o seu melhor papel até aos dias de hoje e a realização de Liz Garbus é extremamente cativante. A realizadora veterana de documentários incute a sua experiência nos mesmos nesta obra de ficção e resulta extraordinariamente bem. Para além disso, as personagens estão, no seu geral, bem estruturadas, ainda que careçam de tempo de antena que era essencial para nos causarem mais impacto.

Lost Girls é, de facto, um pouco uma desilusão no que toca à incidência nesta trágica história de Mari Gilbert. O filme recria apenas uma porção quase mínima da procura pela filha de Mari, Shannan, e decide não se prolongar até ao desfecho surreal desta história real. Enquanto que o caso de Shannan e das restantes prostitutas ficou em “águas de bacalhau”, mesmo que fosse óbvia a sua conclusão e vou tentar esconder um pouco o ódio à incompetência policial que acompanha a investigação, já Mari foi uma lutadora em busca da verdade. Ryan é tão genial no papel que a personagem jamais irá escapar da minha memória, mas Mari acabou por perder a vida depois da sua filha mais nova Sarra a ter assassinado após um surto psicótico. É algo que parece ter saído de um gigantesco pesadelo em loop

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O filme não abrange esta situação e deixa em nota de rodapé o sucedido e era essencial. Tanto que quando o filme termina, nós praticamente estamos ainda a querer saber mais. Há todo um aspeto incompleto da sua história e sentimos que este é apenas um capítulo introdutório e que o sumo maior está por vir… mas isso não acontece e, por muito que gostasse de elevar o estatuto de Lost Girls, não o consigo fazer. E o problema está mesmo aqui, por este sentimento de não me sentir totalmente satisfeito. Todos os elementos estão lá e a história deveria ter continuado… devia haver uma maior insistência na dor e no sofrimento das famílias das vítimas; de como Mari negligenciava emocionalmente as suas restantes filhas porque não tinha tempo para se dedicar a elas por causa dos seus exaustivos turnos laborais; de como tudo isto pode ser recuperado com o desaparecimento de Shannan. Como foram os anos seguintes? Como viveram as Gilberts? Como se sucedeu este surto psicótico de Sarra?

Tudo isto era matéria para Lost Girls se tornar num clássico. Uma história epicamente trágica e que podia marcar pela diferença. E Liz Garbus fez o que conseguiu com um argumento que tinha obrigação de ir mais além. Portanto, Lost Girls é um filme bastante bom, mas é demasiado curto e não abrange a totalidade de eventos que devia. Ainda assim, é uma rampa gigantesca de lançamento para Amy Ryan e um exercício doce de Garbus.

Lost Girls Critica de Cinema

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Título: Lost Girls

Título Original: Lost Girls

Realização: Liz Garbus

Elenco: Amy Ryan, Thomasin McKenzie, Gabriel Byrne, Lola Kirke, Oona Laurence, Dean Winters.

Duração: 95 min.

Trailer | Lost Girls

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