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Crítica: Hold the Dark (2018)

Hold the Dark Critica de Cinema

CONTÉM SPOILERS DE HOLD THE DARK!

Há aqueles filmes que nos tocam de alguma forma, mas temos obrigatoriamente de reconhecer as suas falhas. A produção da Netflix, Hold the Dark, é um deles. Torna-se frustrante a longo prazo por não saber manter o seu clima e de não dar uma justificação plausível a todo o seu enredo. Após a morte de três crianças por lobos numa zona remota dos EUA, uma mãe desesperada entra em contacto com Russell Core, um estudioso dos animais, para encontrar o seu filho desaparecido. Russell aceita o convite e embarca numa aventura em busca de respostas no meio da natureza selvagem sombria.

Hold the Dark Critica de Cinema

Hold the Dark é um filme que tem uma execução extraordinariamente boa, com uma realização soberba de Jeremy Saulnier. É uma construção metafórica interessante de como o ser humano é tão próximo do animal em termos de comportamento. As personagens estão, em geral, bastante bem construídas, mas o desenlace sem uma resposta credível tornam-no num produto incompleto e que não consegue sustentar-se devidamente. Há todo um clima tenebroso em torno desta obra da Netflix e um que é gerado, não só pela paisagem fria, mas também pelo pesar temperamental das personagens. Jeffrey Wright, Riley Keough e Alexander Skarsgård carregam a narrativa com mestria, em papéis significativamente diferentes do que estamos habituados a ver dos mesmos. Enquanto que Wright tem em si toda a mística que ronda o seu Bernard em Westworld, já os restantes surpreendem imenso por se manterem distanciados dos seus registos já conhecidos.

As comparações que vão sendo tecidas em Hold the Dark são aquilo que o torna mais precioso, conjugando lindamente a ideia de que nós, seres humanos, somos mais próximos da natureza do que pensamos. A metáfora icónica do lobo e de que esta criatura, em tempos de escassez, é capaz de matar uma das suas crias para terem alimento, reflete a necessidade do casal protagonista de cometer os crimes que comete. Mas comparar algo sem ilustrar exatamente o que pretende não é suficiente e Hold the Dark destrói a sua ideia por completo por se manter na sombra. Há toda uma hesitação no seu final de entregar ao público um choque tremendo porque, na verdade, a minha teoria é simples: incesto. Mas, se é, ou não é, o argumento de Hold the Dark apenas mantém viva a necessidade de revelar que a escuridão acompanha aqueles que vivem em redor dela durante um período muito longo de tempo.

Hold the Dark Critica de Cinema

Esta ambiguidade de respostas torna Hold the Dark frustrante, ainda que, durante as suas quase duas horas, é um thriller empolgante e envolto num mistério interessante e que se vai alimentando com sequências extremamente bem elaboradas de mortes frequentes e indivíduos que sabem mais do que aquilo que realmente dizem. Esta construção é uma base muito sólida para entregar um entretenimento com qualidade e que se distancia da maioria das produções da gigante de streaming. No entanto, é mesmo com desilusão que chegamos ao fim e ficamos sem entender a ideia que, de facto, rege a sua premissa. Por muito bom que seja deixar um final em aberto para intrigar a nossa imaginação, Hold the Dark não pode, de todo, dar-se a esse luxo.

Há um fio condutor demasiado enraizado num universo palpável e, mesmo que tenha estas aspirações de algo mais, então que reconheça até onde pode e deve ir. Algo que, de facto, não aconteceu. Portanto, Hold the Dark é um thriller empolgante mas com um final que desaponta por não nos dar uma resposta viável à sua construção.

Hold the Dark Critica de Cinema

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Título: Para a Escuridão

Título Original: Hold the Dark

Realização: Jeremy Saulnier

Elenco: Jeffrey Wright, Alexander Skarsgård, Riley Keough, Julian Black Antilope, Eric Keenleyside, James Badge Dale.

Duração: 125 min.

Trailer | Hold the Dark

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