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Crítica: I See You (2019)

I See You Crítica de Cinema

PODE CONTER SPOILERS DE I SEE YOU!!!

Hoje em dia, o cinema de terror está populado por filmes que, na falta de melhores palavras, não oferecem nada de novo que já não tenhamos visto anteriormente. Claro que isto não se aplica a todos os filmes que se insiram neste género, já que fomos agraciados com filmes ou que inovaram nas mais variadas formas ou simplesmente subverteram as nossas expectativas, para o melhor ou para o pior. I See You é um desses casos.

Uma pequena cidade fica virada do alvoroço quando uma criança desaparece sem deixar rasto. E como se isso não bastasse, o detetive a cargo da investigação e a sua família é atormentada por estranhos eventos.

É fácil descrever I See You como um drama policial com toques de terror. E não vos podemos censurar por pensarem o mesmo. Os momentos iniciais da película foram criados para criar esse tipo de atmosfera, desde a primeira cena (em que vemos um rapaz a “voar” sem qualquer tipo de explicação), até aos vários procedimentos policiais, dá tudo a entender que poderíamos ter em mãos um drama policial repleto de tensão. Mas também conta com outros elementos emprestados de outros géneros, já que somos gratificados com alguns momentos de drama familiar (ainda que seja o ponto menos interessante do filme no seu todo), e também alguns fenómenos tipicamente associados aos filmes de terror (objetos a desaparecerem, eletrodomésticos a funcionarem sozinhos, etc.)

Essas mesmas ideias são-nos vendidas também pelo aspeto técnico do filme, seja pelo estilo de fotografia ou da banda sonora desconcertante. Se a ideia era vender a ideia de estarmos perante uma história tensa e desconfortável, estes elementos técnicos conseguem surtir esse efeito desejado.

Dito isto, o maior trunfo que I See You tem a seu favor reside no seu guião, elaborado por Devon Graye. E os seus contributos não passam despercebidos quando o filme entra na sua segunda metade, com uma reviravolta que, embora não seja tão extraordinária quanto possam imaginar, permite a execução de duas funções-chave: criar uma nova perspetiva aos eventos retratados até ao momento da transição e adicionar novas informações sobre o mistério central. Noutras palavras, esta reviravolta pega em todas as nossas expectativas que criámos até à data e oferece algo verdadeiramente diferente, mas que respeita as regras impostas neste filme. O facto de ainda nos conseguir prender ao ecrã e delinear as várias teorias possíveis também merece todo o clamor possível.

Ainda assim, o elenco do filme deixa a desejar. Helen Hunt é a exceção, oferecendo uma performance competente (e com alguns momentos de brilho), mas o resto do elenco não chega aos calcanhares, trazendo performances básicas e sem muito para adicionar ou elogiar.

I See You pode não ser extraordinário, e para alguns pode ser desagradável com tanta mudança de temáticas. Mas os fãs de filmes que possuam reviravoltas inteligentes e que ainda assim consegue colocar dúvidas poderão encontrar aqui uma pérola oculta.

Podem ler outras Críticas aqui.

Título: À Espreita do Mal

Título Original: I See You

Realização: Adam Randall

Elenco: Helen Hunt, Jon Tenney, Judah Lewis, Owen Teague, Libe Barer

Duração: 98 minutos

Trailer | I See You

 

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