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Crítica: Come Play (2020)

Come Play Critica de Cinema

CONTÉM SPOILERS DE COME PLAY!

Há certas surpresas que, por muito que reconheçamos as suas falhas, não deixam de nos fascinar… nem que seja por um bocadinho. Come Play é um filme de terror baseado numa curta-metragem do seu mesmo realizador Jacob Chase. A história foca-se no jovem Oliver, que é autista e tem dificuldades de expressão e, por conseguinte, não consegue falar. Como é óbvio, Oliver sente-se posto de parte pelos seus colegas e é constantemente atormentado pelos mesmos, para além dos esforços notórios dos seus pais em tentar melhorar as suas interações sociais. Para se expressar verbalmente, Oliver utiliza o telemóvel e digita as suas palavras para que todos à sua volta o consigam perceber. Mas tudo começa a tornar-se bizarro quando uma personagem sobrenatural de nome Larry começa a surgir nos dispositivos eletrónicos que Oliver utiliza com regularidade.

Come Play Critica de Cinema

Come Play é um filme de terror competente e tem uma mensagem bastante interessante, ainda que na sua totalidade fraqueje em executá-la da melhor forma. As sequências de terror são muito porreiras e a metáfora que transpõe para o público é cativante, sendo que Larry é fruto de toda a solidão da humanidade e está preso num mundo do outro lado de um ecrã porque as pessoas passam mais tempo online do que a conversar umas com as outras. Embora tudo isto seja positivo para que Come Play se torne um filme de terror com uma mensagem nobre, a história torna-se algo difícil de digerir à medida que vai avançando.

Há também todo um acting pouco convincente de Gillian Jacobs que não se mostra capaz de agarrar com força um género que foge muito à sua rotina de comédias românticas. No entanto, o pequeno Azhy Robertson acaba por conquistar e de conseguir carregar o filme de forma surpreendente. Os seus colegas mais jovens também não desiludem, mas as suas presenças são extremamente curtas para deixarem uma marca no público. Portanto, Come Play tem boas intenções mas nem sempre consegue ser credível para manter a sua mensagem fresca do início ao fim.

Come Play Critica de Cinema

As sequências de terror são cativantes pelo jogo de câmara de Chase e por brincar constantemente com o piscar de luzes e utilizar os aparelhos eletrónicos como diariamente os usamos. A sua simplicidade nesta questão torna Come Play um filme muito competente e que provoca uma instabilidade constante no espectador. Para além disso, o seu final não é cliché… ou melhor… é cliché mas tem algo de poético, mesmo que, na sua composição visual, seja um pouco mais caricatural devido ao baixo orçamento de produção.

Portanto, Come Play é um exercício de terror porreiro e um que é muito propício à criação de um franchise, ainda que tal acontecimento não seja recomendável devido às fragilidades do conceito que resultaram por serem ligeiras e sem grandes ambições.

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Título: A Maldição de Larry

Título Original: Come Play

Realização: Jacob Chase

Elenco: Azhy Robertson, Gillian Jacobs, John Gallagher Jr., Winslow Fegley, Jayden Marine.

Duração: 96 min.

Trailer | Come Play

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