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Crítica: Dick Johnson is Dead (2020)

Dick Johnson is Dead Crítica de Cinema

PODE CONTER SPOILERS DE DICK JOHNSON IS DEAD!!!

Documentários podem servir, na sua maioria, para nos informar sobre factos de vários elementos da nossa vida, quer da nossa história antiga ou dos vários assuntos sensíveis desta era moderna. Este meio de comunicação social também não é imune a respostas emocionais, quer seja de tristeza, revolta, medo, ou mesmo alegria (ainda que este último não seja tão frequente quanto possamos imaginar). Dick Johnson is Dead é um documentário que combina os sentimentos de tristeza e alegria num presente agradável de se ver.

C. Richard Johnson é um psiquiatra reforma que se encontra afligido pela doença de Alzheimer, a mesma doença que afligiu a sua mulher até ao final. De forma a melhor preparar-se para um fim inevitável, a sua filha/realizadora, Kirsten, decide criar com ele um filme a encenar várias formas caricatas de morrer.

É raro o documentário que nos consiga arrancar algumas gargalhadas bem fortes (bem que precisamos nestes dias), e Dick Johnson is Dead consegue esse feito de forma sublime. Alguns desses momentos mais bem humorados podem ser encontrados quando Kirsten e o seu pai encontram as várias maneiras que uma pessoa pode encontrar para morrer. Ataque cardíaco? Tropeçar por si mesmo? Colisão com um objeto inanimado? Quase tudo serve neste documentário, e esses momentos conseguem encher o coração.

Já para não falar de ilustrarem o sentido de humor mordaz de Richard Johnson. Mesmo aflito com uma doença que ameaça roubar as suas memórias há muito adquiridas e vividas, o homem continua sempre com um sorriso estampado na cara a cada momento em que a câmara de Kirsten (que parece estar constantemente ligada) se centra na sua cara. Também pode ser visto como um herói pessoal para muita gente que vir o documentário, especialmente na sua atitude ao enfrentar este desafio neste seu ponto da vida.

E embora o bom humor seja o elemento predominante, Dick Johnson is Dead não se esquece do seu “tema de conversa”. A doença continua presente, a cada momento, o que tornam os momentos entre pai e filha mais poderosos, especialmente nas cenas em que estes dois partilhem. Podem ser elementos “pequenos” (como a consulta de rotina de Dick ou esquecer-se da porta de casa) ou elementos maiores (leia-se os “confrontos” entre os dois), mas o espectro continua presente. Trata-se de um elemento bastante complicado de traduzir para o ecrã, seja em qualquer meio que for, mas o documentário consegue trilhar o seu caminho sem cair em exageros. Trata o tema – e o seu sujeito – com um carinho especial e palpável, não deixando qualquer um indiferente. E isto porque certamente custa vermos um ente querido a perder-se a cada momento, e ainda mais quando pensamos que tal situação pode ocorrer a qualquer um de nós.

Dick Johnson is Dead é um documentário diversificado, uma vez que serve de um retrato poderoso em primeira pessoa de como uma pessoa vive com alguém que possui uma doença incurável, pautado por vários momentos de levidade e humor bem necessário. Mas acima de tudo, é um projeto de amor da sua realizadora, uma espécie de testemunho para um herói pessoal dela. À data, Dick Johnson continua bem vivo entre nós. Mas pelo menos nós – e especialmente Kirsten e a sua família – criaram memórias sólidas de um homem querido.

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Título: Dick Johnson is Dead

Realização: Kirsten Johnson

Elenco: Dick Johnson, Kirsten Johnson

Duração: 89 minutos

Trailer | Dick Johnson is Dead

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