Cinema Críticas

Crítica: Jiu Jitsu (2020)

Jiu Jitsu Critica de Cinema

CONTÉM SPOILERS DE JIU JITSU!

Em todos os meus anos dedicados ao cinema, fui sempre desafiado pelas icónicas figuras de ação dos anos 80 e 90. Tive sempre o maior respeito por todas aquelas sequências de ação foleiras e baratas, por toda a falta de expressividade performativa dos seus líderes, por toda a história cheesy, carregada de frases parolas só para dar aquele toque cool e mostrar que a testosterona é tudo o que o mundo precisa para ser salvo. Músculos abundantes, talento para as artes marciais e vilões que nunca se deviam ter metido com a humanidade porque temos um Sylvester Stallone, um Steven Seagal, um Jean-Claude van Damme, um Chuck Norris, um Arnold Schwarzenegger, um Jackie Chan, para salvar o dia. Somos, de facto, uns ingratos e sugiro que, quando formos invadidos por aliens sanguinários, que os coloquemos na linha da frente de combate. Mal eles sabem com quem se vieram meter…

Jiu Jitsu Critica de Cinema

Jiu Jitsu é um esforço, ou uma tentativa de esforço, de recuperar esta nostalgia que, por si só, nunca foi mais do que isso: nostalgia. O nosso cérebro ainda estava em transformação quando víamos estes filmes e nos deslumbrávamos. Claro que nem tudo é mau, já que nas mãos de alguém que tenha estima pela arte, acaba sempre por conseguir dar um toque qualitativo a este género de cinema condenado pela sua falta de inteligência. Então, Jiu Jitsu foca-se em Jake, um mestre de jiu jitsu, que está amnésico e precisa de aceitar o seu destino de derrotar um intruso alienígena que chega ao nosso planeta de seis em seis anos para lutar com o maior mestre de artes marciais do planeta. Como podem ver, nada é impossível quando se tem um Nicolas Cage e um protagonista desconhecido saído de um ringue de wrestling! A verdade é que não dá para fazer uma abordagem séria de Jiu Jitsu porque o filme é um atentado cinematográfico.

No seu elenco, temos ainda Tony Jaa (de quem sou bastante fã!), Marie Avgeropoulos (da série The 100), Frank Grillo (que é já uma estrela de filmes parolos deste género) e Rick Yune (que conhecemos da saga Velocidade Furiosa); todos eles em prestações extremamente vulgares e sem qualquer tipo de dimensão. E, claro, não nos podemos esquecer de Nicolas Cage que dá um ar da sua graça e que, de graça, nada tem. E o protagonista? Deem as boas-vindas ao novo tijolo performativo de Hollywood! A realização está a cargo de Dimitri Logothetis, responsável pelo franchise de Kickboxer. Um realizador que não tem muita consciência dos recursos que tem à sua disposição e traz aquelas que são as sequências de luta mais plásticas e insonoras à face da terra. Não há qualquer pingo de noção de que Jiu Jitsu não tem absolutamente nada a seu favor.

Jiu Jitsu Critica de Cinema

A história é débil… débil é um elogio… é precária e as personagens são desprovidas de qualquer camada ou dimensão. A própria realização experimental de Logothetis é penosa e sem emoção ou adrenalina. Estamos a ver literalmente o que poderia ser um episódio ficcional de um combate de wrestling onde bastava deixar as suas estrelas serem elas próprias e não precisaríamos de nada mais para nos sentirmos entretidos. Portanto, Jiu Jitsu é um filme cuja existência prova que ter nomes sonantes no elenco não é suficiente para trazer algo comestível, especialmente quando a nostalgia dos anos 80 e 90 não consegue ser recuperada por tamanha idiotice em toda a sua composição.

Leiam outras Críticas aqui.

Título: Jiu Jitsu

Título Original: Jiu Jitsu

Realização: Dimitri Logothetis

Elenco: Nicolas Cage, Marie Avgeropoulos, Frank Grillo, Tony Jaa, Rick Yune, JuJu Chan, Alain Moussi, Eddie Steeples.

Duração: 102 min.

Trailer | Jiu Jitsu

Comments