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Crítica: Shithouse (2020)

Shithouse Crítica de Cinema

PODE CONTER SPOILERS DE SHITHOUSE!!!

Sempre que “cinema americano” e “universidade” juntam forças, o normal é esperarmos um daqueles filmes em que “sexo” reina acima de tudo, juntamente com piadas badalhocas, cenas de jovens adultos a embebedarem-se… O costume. Portanto, estava à espera da mesma coisa quando me decidi aventurar neste Shithouse. No entanto, acabou por ser uma agradável surpresa.

Alex é um caloiro que está a ter dificuldades em adaptar-se ao meio em que se encontra, sentindo saudades da sua família. A sua vida muda quando conhece Maggie na sua primeira festa “tipicamente” universitária.

Shithouse é um daqueles filmes cujos títulos em nada faz justiça ao que transparece durante os seus 100 minutos de duração. Sim, existe uma partilha entre o título e um local presente no início do filme, mas é só isso que o título oferece.

Em vez disso, o filme orienta-se mais em redor da realidade à nossa volta em detrimento do formato cinematográfico como os estudantes universitários são vistos. E vemos isso bem espelhado no personagem de Alex, um jovem rapaz que, numa onda de saudade do seu lar e dos seus amados, nunca soube encontrar o seu lugar no seio estudantil. Existe uma certa veracidade no seu conflito interno, e muitos estudantes que passaram – ou estão a passar – pela mesma situação de saudade e inadaptação irão encontrar maneira de criar laços com ele.

Grande parte do apreço do filme reside no seu protagonista, interpretado por Cooper Raiff, que não só estrela no filme, como também está encarregue do guião e realização do filme. E nesses três campos, Raiff sai como o grande vendedor do filme, demonstrando um carinho e realismo na forma como interpreta Alex – um rapaz sensível, em detrimento do “macho alfa” deste género. E esse carinho reflete-se também na escrita do filme, que consegue manter um certo nível de “mistério” do princípio ao fim, e na intimidade de como escolhe filmar as sequências em si.

No entanto, aonde o filme fracassa é na forma como decide demonstrar a sua Maggie. Nada contra Dylan Gelula, que consegue arrancar uma performance de interesse no filme; simplesmente, com os problemas de Alex, parece que o filme não sabe bem aonde incluir a co-protagonista, se bem que tenhamos indícios mais do que suficientes de que havia material suficiente para aprendermos um pouco mais sobre ela e sobre os problemas que esta atravessa.

Shithouse não é uma obra perfeita, visto que não nos conta nada propriamente algo de inovador no género. No entanto, acaba por ser ligeiramente diferente – e opta também por uma abordagem mais realista – que o esperado. O facto de este ser o primeiro filme de Raiff atrás da câmara merece também todo o nosso apreço e curiosidade.

Podem ler outras Críticas aqui.

Título: Shithouse

Realização: Cooper Raiff

Elenco: Cooper Raiff, Dylan Gelula, Amy Landecker, Logan Miller, Olivia Welch

Duração: 100 minutos

Trailer | Shithouse

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