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Crítica: I Am Greta (2020)

I Am Greta Crítica de Cinema

PODE CONTER SPOILERS DE I AM GRETA!!!

Documentários podem surgir em várias formas e feitios. Por vezes, podemos encontrar documentários entre vários formatos (longas e curtas metragens, ou em formato episódico), e conseguem englobar as mais variadas temáticas, inclusive algumas vistas íntimas a algumas personalidades marcantes (I Am Heath Ledger é um desses casos). I Am Greta não é exceção, mostrando-nos um pouco da vida de Greta Thunberg, a jovem ativista que tem feito escorrer tinta em anos recentes.

Este documentário acompanha a jornada atribulada de Greta, desde a sua primeira greve escolar à porta do Parlamento sueco até à sua famosa viagem de barco até Nova Iorque, que tomou lugar no ano passado.

Nesta altura do campeonato, já todos sabemos quem é Greta Thunberg. Uma jovem ativista que trabalha incansavelmente para chamar a atenção dos líderes mundiais sobre os problemas relacionados com o aquecimento global e a falta de medidas concretas para travar esta crise (ou pior, de os chamar pelas “falsas promessas”. Trata-se de uma jovem personalidade que tem feito manchetes dos jornais pelos seus feitos, reunindo tanto admiradores dos vários cantos do mundo, além dos seus críticos mais acérrimos.

Portanto, fica uma grande questão: partindo do princípio que o público-alvo está a par destes eventos, o que é que I Am Greta pode oferecer que seja realmente uma grande novidade para nós? Afinal, este documentário engloba um período de dois anos, eventos retratados esses que ora já esquecemos ou ficou cimentado nas nossas memórias.

A resposta deste documentário parece ser suficientemente simples: oferecendo o ponto de vista pessoal de Greta e da sua família. No passado, foram imensos os críticos que atiraram farpas à jovem e à sua família por causa das suas exceções. Dito isto, I Am Greta oferece esses mesmos eventos sob o olhar de Greta, já para não falar do apoio inigualável dos seus pais, amigos e admiradores que esta foi encontrando e conhecendo ao longo deste tempo.

Trata-se de um retrato intimista de Thunberg, que nos é oferecida pelo olhar (e direção) de Nathan Grossman, que opta por um estilo de filmagens mais próximo, mas oculto ao mesmo tempo, como que espreitando por uma esquina. Com este estilo, vamos desvendando as motivações de Greta para estabelecer os seus pontos de vista, mas também o preço a pagar pela sua presença mais mediática. Seja pelas suas vivências antes de cada discurso que clama, ou as suas reações a comentários negativos nas redes sociais, os comentários de jornalistas, políticos e celebridades, não há muito que passe ao lado deste documentário.

Embora não vá ao cerne da questão no que refere à infância de Greta antes do seu primeiro protesto, o documentário também vai levantando a cortina sobre as suas vivências com a sua família, ou com o facto de viver com o Síndrome de Asperger. Mas em vez de servir como uma espécie de vitimização (aliás, há personalidades no documentário que apontam o dedo a Greta por causa disso mesmo), não deixa de ser positivo vermos uma jovem a olhar para um problema interno e aceitá-lo como uma força e não como uma fraqueza.

No fim e ao cabo, I Am Greta não vai mudar muitas opiniões que esta jovem foi criando ao longo destes anos, muito menos oferecerá uma resposta definitiva sobre a crise da mudança climatérica que o mundo enfrenta atualmente. Dito isto, trata-se de um retrato intimista de uma jovem que, além de ser uma das ativistas mais célebres dos últimos anos, é uma adolescente.

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Título: I Am Greta

Realização: Nathan Grossman

Elenco: Greta Thunberg, Svante Thunberg, Malena Ernman

Duração: 97 minutos

Trailer | I Am Greta

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