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Crítica: La Vita Davanti a Sé (2020)

La Vita Davanti a Sé Critica de Cinema

CONTÉM SPOILERS DE LA VITA DAVANTI A SÉ!

Hoje a Netflix lança duas grandes estreias no seu reportório. Já tivemos oportunidade de ter o nosso espírito natalício revitalizado com Jingle Jangle: A Christmas Journey e agora podemos testemunhar um ato maravilhoso do cinema italiano. La Vita Davanti a Sé é o filme que traz a lenda italiana Sophia Loren de volta aos ecrãs. E é um momento especial porque ela é a musa do seu próprio filho, agora realizador, Edoardo Ponti. Uma sobrevivente do Holocausto de 86 anos acolhe o jovem delinquente Momo e ambos iniciam uma jornada atribulada de aceitação e de conforto um com o outro.

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La Vita Davanti a Sé é um filme poderoso, com as emoções a brotarem à superfície. É um exercício genuíno e despretensioso que Ponti dedica de forma belíssima à sua mãe. É também uma história de redenção e de procura por amor e carinho e de como, depois de uma vida amargurada, há sempre espaço para a felicidade. Mesmo que não seja totalmente brilhante, La Vita Davanti a Sé é um filme extremamente bonito e com uma mensagem intemporal. Sophia Loren é maravilhosa, ao passo que o pequeno Ibrahima Gueye deslumbra no seu primeiro grande papel. Uma honra contracenar com uma lenda viva.

Tirando proveito das paisagens lindíssimas de uma Itália costeira, Ponti traz para a sua obra algumas referências dos clássicos italianos, mas nunca prende as suas personagens demasiado, o que é um ponto a favor para o filme ter outro charme. O facto de não ter muitas personagens também ajuda e não há necessidade de ambição em tornar La Vita a Davanti a Sé em algo mais do que é. Claro que há certos elementos que deviam ter sido melhor trabalhados, nomeadamente a criação de um motivo catalisador e de maior intensidade para o espectador perceber a mudança que Momo tem em aceitar a sua nova guardiã. O filme, se tivesse uma duração ligeiramente mais longa, poderia caminhar para um estatuto de culto de instantâneo e colocar um pouco mais de enredo para tornar a narrativa ainda mais intensa e forte. Mas, mesmo que não seja o caso, La Vita Davanti a Sé é um filme que vos vai deixar a pensar e é delicioso em transmitir as mais bonitas metáforas.

La Vita Davanti a Sé Critica de Cinema

Tal como Momo que cria uma leoa na sua imaginação como objeto de proteção e amor, também Madame Rosa reconstrói o seu refúgio dos horrores de Auschwitz na cave do seu apartamento. Ambos estão apenas à procura daquele canto onde se sentem seguros. Todos nós o fazemos, seja algo físico ou um lugar imaginário onde nos sintamos protegidos. A mensagem principal do filme é esta e, não tarda nada, percebemos o quanto estas duas personagens se equilibram e precisam uma da outra. É um feito lindíssimo e extraordinário e a emoção é tão pura que as lágrimas não tardam muito a cair.

É por este esforço que La Vita Davanti a Sé acaba por ter o efeito que pretende, mas podia ir um pouco mais além. Para além disso, a canção final, escrita por Dianne Warren e interpretada pela fantástica Laura Pausini, traz uma intimidade ainda mais preciosa ao filme. Portanto, este fim-de-semana, dediquem-se a ver esta fábula carinhosa e tenho a certeza que o vosso dia de confinamento irá ser mais sorridente.

La Vita Davanti a Sé Critica de Cinema

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Título: Uma Vida à Sua Frente

Título Original: La Vita Davanti a Sé

Realização: Edoardo Ponti

Elenco: Sophia Loren, Ibrahima Gueye, Renato Carpentieri, Babak Karimi, Massimiliano Rossi, Abril Zamora.

Duração: 94 min.

Trailer | La Vita Davanti a Sé

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