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Crítica: Pirates of the Caribbean: The Curse of the Black Pearl (2003)

Pirates of the Caribbean The Curse of the Black Pearl

CONTÉM SPOILERS DE PIRATES OF THE CARIBBEAN: THE CURSE OF THE BLACK PEARL!

Vou-vos contar um segredo. Um segredo que poucos sabem e que se calhar compromete a minha ética de crítico, mas tenho coisas mais importantes com que me preocupar. Ao lado de The Lord of the Rings (a trilogia para mim funciona como um e iremos abordá-los mais tarde), o meu filme favorito é Pirates of the Caribbean: The Curse of the Black Pearl. E vou-vos contar a minha história pessoal para perceberem o quanto este filme em particular me deslumbrou. Tinha 13 anos quando saiu. Vi-o no cinema local, da minha terra natal, que agora não é mais do que uma memória distante. Na altura, estava em pulgas para ver o segundo filme de Tomb Raider, mas por algum motivo, a sua estreia por cá foi adiada e, como já tinha aquela vontade de ir ao cinema, fui ver à mesma o filme de estreia. E que estreia foi esta! Pirates of the Caribbean: The Curse of the Black Pearl foi o quíntuplo melhor do que ver Tomb Raider! Fiquei a conhecer aquela que, para mim, é a melhor personagem que o cinema proporcionou até aos dias de hoje.

Pirates of the Caribbean The Curse of the Black Pearl

Agora que Johnny Depp infelizmente está em maus lençóis e de uma forma extremamente questionável e pouco fundamentada, é a altura perfeita para reviver a saga que o imortalizou no cinema. Ele já era conhecido, sim, mas foi com Jack Sparrow… desculpem, Captain Jack Sparrow, que ele se tornou um ícone para a minha geração. Pirates of the Caribbean: The Curse of the Black Pearl acompanha a história de Jack, Will Turner e Elizabeth Swann, três personagens aparentemente de diferentes backgrounds e que convergem numa luta para resgatarem o famoso navio que Jack Sparrow outrora comandava, o Pérola Negra, enquanto combatem com um exército de piratas amaldiçoados que precisam de Will para quebrarem a sua maldição. Swann é a filha do governador e vê-se envolvida no esquema depois de guardar durante anos o medalhão (que pertencia a Will) e que os piratas amaldiçoados necessitam para terminar com a sua maldição.

Pirates of the Caribbean: The Curse of the Black Pearl é um filme extraordinário. É totalmente cheesy, com tudo aquilo que o entretenimento precisa para florescer e para se consagrar como um dos motivos mais apelativos para nos dirigirmos à sala de cinema. Podem dizer o que quiserem, mas este primeiro filme da saga (que infelizmente prolongou-se mais do que devia) é um autêntico festim visual e um que absorve os clichés da melhor forma e os conjuga numa aventura sem limites que é, maioritariamente, conduzida pelas personagens e pelas suas características particulares. Johnny Depp tem aqui a sua melhor prestação no cinema de sempre, e entrega-se de corpo e alma à personificação detalhada de um pirata que… bem… talvez o pior pirata de todos? Não importa, Depp é um ator camaleónico e que consegue dar atributos específicos às personagens que interpreta. É em torno dele que Pirates of the Caribbean: The Curse of the Black Pearl ganha uma força única e preciosa.

Pirates of the Caribbean The Curse of the Black Pearl

É também por todo o frenetismo da aventura e por perceber as suas limitações, que o filme brilha. Não é necessária uma história muito elaborada, nem personagens extremamente bem desenvolvidas. O que é necessário é garantir que o espectador tenha um serão extremamente divertido com tudo aquilo que o cinema pode proporcionar. Batalhas navais bastante bem filmadas, uma banda-sonora catchy (e memorável), efeitos visuais de qualidade, personagens deliciosas e vincadas, enfim… tudo aquilo que um filme cliché tem de melhor. No elenco, temos também um Orlando Bloom e uma Keira Knightley em ascensão, para além de um genial Geoffrey Rush como o vilão de serviço, o Capitão Barbossa.

Há pormenores tão extraordinários em Pirates of the Caribbean: The Curse of the Black Pearl! Até o macaquinho traquina tem um destaque e uma prestação fabulosa! (Reparem só na sequência em que Jack Sparrow o persegue para recuperar o medalhão e o Capitão Barbossa agradece ao macaco e estejam atentos ao que ele faz!) Para além de um guarda-roupa estrondoso e cenários que captam a essência tropical que estamos habituados aos filmes de pirataria (locais exóticos, águas límpidas e navios possantes), o filme tem também uma mensagem muito bonita nas suas entrelinhas: nunca devemos julgar um livro pela sua capa. Jack Sparrow, desculpem novamente, Captain Jack Sparrow, é um pirata travesso e vigarista mas não é mal intencionado, e tem a capacidade humana de reconhecer os seus erros e de os tentar resolver da melhor forma (especialmente se houver algum interesse ali pelo meio que o beneficie).

Pirates of the Caribbean The Curse of the Black Pearl

Mas a verdade é que Pirates of the Caribbean: The Curse of the Black Pearl é uma obra-prima do cinema de entretenimento que não é ambicioso demais nem pateta demais por entrar na sua vida humorística. É um filme que ilustra a aventura no seu estado mais puro e um que dá uma marca própria e reconhecível às personagens que o compõem. Mesmo que tenha material para franchise, não é uma saga que devesse prolongar-se por muito tempo, como iremos ver nas análises dos seguintes (só passados três anos é que tive coragem de ver o filme mais recente), mas uma coisa é certa: o primeiro é inegavelmente um acontecimento cinematográfico. Savvy?

Pirates of the Caribbean The Curse of the Black Pearl

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Título: Piratas das Caraíbas: A Maldição do Pérola Negra

Título Original: Pirates of the Caribbean: The Curse of the Black Pearl

Realização: Gore Verbinski

Elenco: Johnny Depp, Geoffrey Rush, Orlando Bloom, Keira Knightley, Jack Davenport, Jonathan Pryce, Lee Arenberg, Mackenzie Crook, Kevin McNally.

Duração: 143 min.

Trailer | Pirates of the Caribbean: The Curse of the Black Pearl

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