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Crítica: A Rainy Day in New York (2019)

A Rainy Day in New York Crítica de Cinema

PODE CONTER SPOILERS DE A RAINY DAY IN NEW YORK!!!

É difícil ser-se um fã dos trabalhos de Woody Allen nesta era moderna. Esquecendo o facto de o realizador se encontra perante uma de controvérsia que parece não ter fim em vista, já lá vai algum tempo desde que lançou um filme que se possa dizer que seja “bom”. Portanto, se esperavam que este A Rainy Day in New York fosse o regresso esperado à sua melhor forma, podem muito bem continuar a esperar sentados.

Gatsy e Ashleigh são um casal jovem, conheceram-se ao interagirem numa pequena universidade. Por causa de uma potencial entrevista a um famoso realizador de cinema, o casal decide passar um fim-de-semana no coração de Manhattan. No entanto, os seus planos acabam por ser arruinado, atirando cada um deles nas suas próprias aventuras.

Woody Allen pode ter já filmado alguns dos seus melhores filmes no estrangeiro – Vicky Cristina Barcelona e Midnight in Paris foram filmados em Espanha e França, respetivamente – mas o realizador tem um carinho especial pela cidade de Nova Iorque (não é à toa que a maior parte dos seus trabalhos decorram nesta cidade). Portanto, é caso para dizer que A Rainy Day in New York mostra um lado verdadeiramente belo da cidade, e grande parte deste apreço parte dos esforços do cinematógrafo de serviço, Vittorio Storaro, com quem Allen já tinha trabalhado anteriormente.

No entanto, por mais bonito que o filme possa parecer, a cinematografia não mascara as falhas mais do que aparentes no filme. A sua narrativa pode ser simples o suficiente para não se perder o fio à meada, e ainda conta com algumas linhas de diálogo interessantes, mas a grande maioria deixa bastante a desejar. Como se não bastasse a quantidade infindável de referências à era dourada das artes em geral, vermos jovens adultos a fazerem esse tipo de comentários numa Nova Iorque aparentemente moderna não traz consigo a sensação de veracidade. Também não ajuda que, no fim e ao cabo, A Rainy Day in New York acaba por tomar inspirações diretas de trabalhos anteriores (e claramente superiores) de Woody Allen.

Mas um dos elementos mais chocantes do filme reside na forma como o seu elenco de nomes sonantes acabam por ser completamente desperdiçados. Vermos verdadeiros astros do cinema e televisão a serem reduzidos a meros figurantes não é exatamente uma novidade (e acreditem, o filme conta com bastantes caras conhecidas), mas o elenco jovem deixa bastante a desejar. É triste vermos jovens atores como Timothée Chalamet e Elle Fanning a entregarem performances nada credíveis e sem um pingo de carisma natural (Chalamet parece tentar imitar o estilo de Woody Allen quando este ainda aparecia no ecrã; ao passo que Fanning acaba por representar uma “flor de estufa”). Selena Gomez ainda acaba por dar o ar de sua graça e consegue surpreender, se bem que este não é o seu melhor papel.

Portanto, será A Rainy Day in New York um grande desperdício do nosso tempo? Se apreciarem a arquitetura interna de alguns dos marcos da cidade, nem por isso. Mas se esperam uma experiência mais leve num ano que se tem revelado demasiado pesado para muita gente, então terão direito a uma surpresa desagradável.

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Título: A Rainy Day in New York

Realização: Woody Allen

Elenco: Timothée Chalamet, Elle Fanning, Selena Gomez, Will Rogers, Jude Law, Liev Schreiber, Diego Luna, Cherry Jones

Duração: 92 minutos

Trailer | A Rainy Day in New York

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