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Crítica: Words on Bathroom Walls (2020)

Words on Bathroom Walls Critica de Cinema

CONTÉM SPOILERS DE WORDS ON BATHROOM WALLS!

Parece que 2020 é, de facto, o ano dos tearjerkers… talvez para projetarmos as nossas energias negativas e descarregarmos todas as frustrações do dia-a-dia nos infortúnios de personagens ficcionais (ou baseadas em pessoas reais) para nos sentirmos um pouco mais leves. Words on Bathroom Walls segue o toque dramático de Clouds, que abordámos há pouco tempo aqui no site. Adam é um jovem que sofre de esquizofrenia paranoica e que começa a interferir com a sua conclusão dos estudos. Ao apaixonar-se por uma bonita e inteligente rapariga, Adam percebe que há terapias que podem ajudar a suprimir o problema.

Words on Bathroom Walls Critica de Cinema

Words on Bathroom Walls é um filme que, por muito que queiramos admitir, chega numa fase tardia e que, mesmo tendo os elementos certos para nos manter envoltos na sua história já cliché, não consegue ascender ao que pretende. O grande problema destes drama adolescentes focados em doenças mentais é que seguem, literalmente, todos a mesma via… pode resultar num ou outro, mas torna-se cansativo para o espectador estar a ver algo repetido vezes e vezes sem conta. Charlie Plummer é um protagonista carismático e Words on Bathroom Walls é forte no retrato hipotético de como se comporta a doença, tornando visíveis as várias personalidades que habitam na mente de Adam, para além de realçar toda a escuridão que o impede de combater os seus próprios medos.

Esta é toda a componente significativa e original que o filme oferece, conseguindo trabalhar em tons de fantasia algo que é tão difícil de ilustrar. Mas, na verdade, Words on Bathroom Walls só tem verdadeiramente isto de diferente… todo o resto encaixa nos já cansativos e repetitivos clichés de filmes do género. Não quero dizer que não entretenha porque, de facto, entretém… mas é extremamente revoltante que não haja ainda mais emotividade relacionada com as dificuldades emocionais e psicológicas que advêm desta doença tão preocupante.

Words on Bathroom Walls Critica de Cinema

Pintado nestes tons coloridos e com uma energia adolescente que não conquista, Words on Bathroom Walls acaba por perder alguma da sua força. E isto porque a maioria das personagens não tem relevo ou liberdade para mudar dos registos que já são comuns por esta altura. Talvez o maior destaque surja no renascido Andy Garcia que encontra aquilo um pequeno papel doce, mas o seu pouco tempo de antena não nos deixa uma marca profunda. A história de Adam é bastante interessante, mas cai num registo de Hollywood que cisma em focar-se no amor como o tratamento mais simples para resolver um problema tão particular e, por muito que concordemos, precisamos de um pouco mais de entender como é que está doença pode manifestar-se em contextos sociais.

Ainda assim, Words on Bathroom Walls é um esforço agradável, mas deveria ter ido um pouco mais além. Não deixa de ser um serão para toda a família e um que pode abrir portas para novos registos mais profundos de uma temática muito sensível.

Words on Bathroom Walls Critica de Cinema

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Título: Words on Bathroom Walls

Título Original: Words on Bathroom Walls

Realização: Thor Freudenthal

Elenco: Charlie Plummer, Walton Goggins, AnnaSophia Robb, Andy Garcia, Molly Parker, Devon Bostick, Taylor Russell, Beth Grant, Lobo Sebastian.

Duração: 110 min.

Trailer | Words on Bathroom Walls

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