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Crítica: Harry Potter and the Goblet of Fire (2005)

Harry Potter and the Goblet of Fire

CONTÉM SPOILERS DE HARRY POTTER AND THE GOBLET OF FIRE!

Ao continuarmos a jornada do jovem feiticeiro Harry Potter, chegámos a um ponto de viragem extremamente importante. Como leitor das obras de J.K. Rowling, Harry Potter and the Goblet of Fire é, definitivamente, o meu capítulo favorito. E porquê? Porque engloba todo um rol de importantes temáticas que, não só evidenciam o crescimento da personagem principal e das restantes que o acompanham, como marca a ascensão definitiva do Senhor das Trevas Voldemort. Voltando a Hogwarts, Harry, Ron e Hermione recebem a notícia de que a sua escola irá ser anfitriã de um torneio magistral, que irá albergar outras escolas de feitiçaria provenientes da Rússia e da França. Cada escola necessita de inscrever um ou mais campeões para a representar, sendo que serão, posteriormente reduzidos a apenas uma escolha, selecionada pelo Cálice de Fogo, um objeto mágico. Isto coincide com a chegada do novo professor de Defesa Contra as Artes das Trevas, Alastor Moody. Misteriosamente, o Cálice revela o nome de mais um campeão de Hogwarts que é, nem mais, nem menos que o nosso herói.

Harry Potter and the Goblet of Fire

Harry Potter and the Goblet of Fire é um capítulo extraordinário de cinema. E é-lo porque consegue absorver todas as características mais importantes da obra de Rowling. Toda a temática adolescente e o campo hormonal que os acompanha está incrivelmente bem retratada, para além de toda uma dose de adrenalina provocada pelos desafios do torneio. Para além de ter inúmeras personagens novas, as escolhas de reduzir os tempos de antena de algumas delas eram inevitáveis. Sob a realização, desta vez de Mike Newell, Harry Potter and the Goblet of Fire é uma das entradas mais visualmente fascinantes de toda a saga. Não há como escapar da sua exuberância e das características fantásticas que são atribuídas para vincar cada personagem ao seu meio. Desde a doçura, alegria e beleza natural das alunas de Beauxbatons, passando pelo ar duro, viril e autoritário dos alunos de Durmstrang, até às particularidades físicas de Mad-Eye Moody e à incomodativa Rita Skeeter. Harry Potter and the Goblet of Fire é o filme mais exigente em termos de mudança de tons repentinas, para além de ter de incutir uma componente dramática muito maior do que até agora foi visto.

É incrível como, quer os livros, quer os filmes, sofrem esta transformação de maturidade e acabam por elevar a saga a um estatuto de excelência. Neste quarto filme, Frances de la Tour, Robert Pattinson, Clémence Poésy, Stanislav Yanevski, Brendan Gleeson, David Tennant, Predrag Bjelac e Ralph Fiennes fazem a sua estreia neste universo. E, por mais incrível que pareça, é em Harry Potter and the Goblet of Fire que o seu talento performativo é colocado em teste. Fiennes é soberbo como Voldemort, arrepiando-nos a espinha com a sua ascensão; para além de Pattinson que surpreende num papel de estreia, para além de um Gleeson e um Tennant geniais e que funcionam numa sintonia admirável. Talvez o maior defeito de Harry Potter and the Goblet of Fire seja mesmo a duração da sequência do labirinto que era necessário ser um pouco mais prolongada para criar um efeito ainda mais aterrador, mas acaba por ser compreensível dado que o filme se está a aproximar do seu clímax.

Harry Potter and the Goblet of Fire

Outras das componentes mais extraordinárias desta entrada na saga, é precisamente o foco na adolescência e em como os nossos protagonistas estão a crescer e a primeira dose de acne começa a surgir, figurativamente falando. Harry, Ron, Hermione e restantes alunos de Hogwarts começam a dar sinais de revelarem crushes físicas e Steve Kloves inclui habilmente linhas de diálogo que sustentam muito bem esta transformação. E, à medida que eles próprios vão crescendo, também as forças do mal estão a evidenciar-se cada vez mais. O grau de intensidade está a aumentar e os filmes estão a saber absorver isto de forma magnífica, com uma sequência final de Voldemort absolutamente macabra e impiedosa.

E, para terminar este texto, vou deixar aqui uma das frases mais inspiradoras de Dumbledore, que acaba por ser um mote para toda a sociedade e um que continua a ser intemporal:

“Now the pain we all feel at this dreadful loss reminds me, and, reminds us, that though we may come from different countries and speak in different tongues, our hearts beat as one. In light of the recent events, the bonds of friendship made this year will be more important than ever.”

Harry Potter and the Goblet of Fire

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Título: Harry Potter e o Cálice de Fogo

Título Original: Harry Potter and the Goblet of Fire

Realização: Mike Newell

Elenco: Daniel Radcliffe, Eric Sykes, Timothy Spall, David Tennant, Emma Watson, Rupert Grint, Mark Williams, James Phelps, Oliver Phelps, Bonnie Wright, Jeff Rawle, Robert Pattinson, Jason Isaacs, Tom Felton, Stanislav Yanevski, Robert Hardy, Roger Lloyd Pack, Katie Leung, Matthew Lewis, Robbie Coltrane, Michael Gambon, David Bradley, Warwick Davis, Frances de la Tour, Clémence Poésy, Maggie Smith, Alan Rickman, Predrag Bjelac, Brendan Gleeson, Miranda Richardson, Gary Oldman, Shirley Henderson, Ralph Fiennes.

Duração: 157 min.

Trailer | Harry Potter and the Goblet of Fire

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