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Crítica: Deutschstunde (2019)

Deutschstunde Crítica de Cinema

PODE CONTER SPOILERS DE DEUTSCHSTUNDE!!!

O cinema europeu pode ser complicado de digerir, muito por optar por métodos a que não estamos completamente habituados, especialmente se tivermos as produções americanas como comparador. No entanto, isso não implica que não encontremos algumas pérolas que merecem ser vistas pelos amantes deste tipo de indústria. E Deutschstunde (também conhecido como The German Lesson) é um desses casos!

No pós-guerra, o encarcerado Siggi Jepsen é desafiado a escrever um relatório sobre “Os Prazeres do Dever”. É perante este desafio que Siggi recorda do seu passado, dividido entre o dever instigado pelo seu pai e o amor pela arte nutrido pelo seu padrinho Max, sendo ele um pintor.

Deutschstunde pode não ser um filme de análise fácil, mas não deixa de ter alguns prazeres espalhados. Ainda que se passe durante a 2ª Guerra Mundial, o que já não se torna propriamente novidade no cinema mundial, o filme vai ainda mais além e mostra-nos também os efeitos do pós-guerra e de como uma pequena comunidade na zona costeira da Alemanha responde a essas novas mudanças.

No centro do filme, temos o jovem Siggi. Durante a duração do filme, vamos testemunhando as várias interações que o jovem foi obtendo e de como formaram o seu estado mental. Por um lado, temos um misto de medo – mas também de revolta – quando este interage com o seu pai, um agente da polícia que continua a acreditar nas suas crenças nazistas. Em contraste, Siggi encontra em Max, um pintor, uma espécie de proteção paternal que não teve direito, além de um fomento para as artes visuais. Uma paixão que se transforma, lentamente, numa espécie de obsessão.

Embora a narrativa não deixe muito espaço para surpresas estonteantes, ganha pontos por ilustrar esses pontos: de como uma comunidade responde ao impacto da guerra durante e após o seu curso, e de como uma dualidade de educação pode trazer alguns transtornos para uma criança ainda fértil.

Deutschstunde conta com algumas performances poderosas, ainda que sejam um bocado suprimidas a nível emocional. Os veteranos da indústria europeia, tais como Ulrich Noethen ou Tobias Moretti, mostram aqui a sua garra; no entanto, acabam por ser ofuscados por completo pelo jovem Tom Gronau. Ainda que não mostre completa emoção nas suas cenas, o seu olhar constante é toda a informação que precisamos para compreender o seu estado de espírito. Seja no seu apreço pela arte e natureza à sua volta ou o seu sentimento de revolta sempre que este interage com o seu pai violenta, nada escapa a este rebento!

De salientar que filmar em terreno consegue trazer alguma magia ao filme. Somos presenteados com algumas imagens dignas de uma obra de arte que merecem ser capturadas numa tela de pintura. Nada mau para uma produção europeia.

Deutschstunde poderá não reinventar o género de filmes que decorrem durante uma das épocas mais negras da história da Europa – e do Mundo – mas ganha por nos mostrar um lado raramente explorado. E no meio de falta de emoção, consegue ser bastante emocional. Irónico, mas não menos verdade.

Podem ler outras Críticas aqui.

Título: The German Lesson

Título Original: Deutschstunde

Realização: Christian Schwochow

Elenco: Ulrich Noethen, Tobias Moretti, Tom Gronau, Johanna Wokalek, Maria Dragus

Duração: 125 minutos

Trailer | Deutschstunde

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