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Crítica: Passengers (2016)

Passengers Critica de Cinema

CONTÉM SPOILERS DE PASSENGERS!

Ainda no outro dia escrevia nalguma das minhas críticas anteriores que há sempre filmes que nos escapam no ano em que são lançados. Com tanta procura e tanta concorrência, é difícil ter-se tempo para ver todos… e depois temos infelizmente uma pandemia que nos obriga a ficar mais tempo em casa e bendita Netflix por existir e nos proporcionar um catálogo recheado de filmes e séries para nos entretermos. Passengers é um destes casos, ainda que me tenha desiludido imenso dado à minha adoração por ambos os atores que o protagonizam. Passengers, portanto, acompanha uma “arca humana” no espaço que, após um erro técnico numa das cabines de hibernação, acorda Jim Preston 90 anos antes da chegada ao destino: o planeta habitável Homestead II. Ao passar um ano na luxuosa nave, Jim começa a sentir falta de contacto humano e comete, em desespero, o erro de acordar Aurora Lane, com quem desenvolve uma relação amorosa.

Passengers Critica de Cinema

Passengers é um filme que me incomoda bastante, especialmente por utilizar dois atores magníficos em papéis totalmente clichés, numa temática altamente condenável em termos morais e que, mesmo que entretenha, tem o desfecho mais platónico e desnecessário destes últimos anos. Chris Pratt e Jennifer Lawrence têm uma química especial, é um facto, e o facto do filme se condensar maioritariamente no seu desenvolvimento, sente-se que Passengers não tem muito conteúdo assim que o começamos a espremer. Vemos a relação de Jim e Aurora a florescer (cliché), a divertirem-se (cliché) e depois Jim é forçado a contar a Aurora que a acordou antes do tempo (cliché) e já se sabe o que vem a seguir… Eu até não desgosto de clichés quando são aplicados com um propósito de apimentar uma história original. Mas Passengers não tem absolutamente nada de original e a sua execução argumentativa é tão pobre que sentimos que já vimos isto em não-sei-quantos-filmes de ficção científica que por aqui andam.

Passengers Critica de Cinema

Mesmo que tenha uma componente técnica maravilhosa, desde os cenários, aos efeitos até à banda-sonora magnífica de Thomas Newman, Passengers é uma novela espacial terrivelmente banal e sem nada de propriamente inovador para entregar. Sobrevive pelo carisma dos seus atores e de algumas sequências engraçadas de efeitos, mas nada mais. Isto não é suficiente para salvar Passengers do seu defeito de raiz. Este enredo tão pouco elaborado e tão previsível leva-nos a revirar os olhos imensas vezes, para além do seu final que é desprovido de qualquer sentido ou emoção. As personagens acabam por sucumbir ao cliché amoroso sem uma abordagem mais humana e ponderada da situação. Afinal de contas, o dilema moral até podia ser o que salvava o filme mas… Hollywood worked its magic, ao voltar à estaca zero de ser tudo borboletas e florzinhas…

Portanto, Passengers é um filme que me irrita um pouco honestamente… porque tinha obrigação de ser algo bem melhor do que é. Nem mesmo Jennifer Lawrence e Chris Pratt o conseguem salvar, ainda que só por os ver a serem naturais com as suas personagens me poupou a uma classificação mais agressiva. Passengers não é um bom filme de ficção científica, mas é um romance que os fãs de Nicholas Sparks provavelmente irão adorar.

Passengers Critica de Cinema

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Título: Passageiros

Título Original: Passengers

Realização: Morten Tyldum

Elenco: Jennifer Lawrence, Chris Pratt, Michael Sheen, Laurence Fishburne, Andy Garcia.

Duração: 116 min.

Trailer | Passengers

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