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Crítica: Good Time (2017)

Good Time Critica de Cinema

CONTÉM SPOILERS DE GOOD TIME!

Antes de projetarem a carreira de Adam Sandler para um patamar mais aceitável que as suas habituais comédias, os irmãos Safdie conseguiram o mesmo com Robert Pattinson. Good Time acompanha os irmãos Connie e Nick Nikas que, após um assalto que não lhes correu propriamente bem, são separados assim que Nick é capturado pela polícia. Connie faz todos os possíveis, incluindo negócios no submundo criminal de Nova Iorque para conseguir resgatar o irmão.

Good Time Critica de Cinema

Good Time tem uma energia e uma vibe extremamente interessantes, mas é um filme que não consegue sustentar a falta de um argumento mais elaborado. Toda a estética dos Safdie e, inclusive, aquela hiperatividade típica que incutem nas suas obras (que em Uncut Gems era extremamente irritante), assentam que nem uma luva na temática, para além de um Robert Pattinson assombroso. Quem diria que depois da saga Twilight, o jovem ainda provaria que tem um talento gigantesco para a arte performativa (vamos ver como se safa como Batman)… Good Time tem uma energia que capta a nossa atenção, mas dificilmente conseguimos manter-nos envolvidos a longo prazo pela carência de uma história mais complexa e mais intensa em termos de desenvolvimento de personagens.

Tirando Pattinson, ninguém em Good Time tem o tempo de antena que merece. Sentimos que falta algo ao filme, e que é difícil explicar, já que tudo é ofuscado pela presença de Pattinson. Mesmo que nem tudo seja mau porque, de facto, não é, há algo que escapa e que sentimos vazio ao longo da película. A impressionante estética dos irmãos Safdie não chega para tornar Good Time na obra que ambos pretendiam. Muito menos a irreverência dos diálogos cuspidos à velocidade da luz que, a meu ver, quebra com a seriedade do enredo em muitos aspetos. Já em Uncut Gems, por muito que tenha ficado fã do seu talento, esta hiperatividade excessiva das personagens torna o filme algo confuso e anormalmente irritante. Isto porque a intenção de ambos irmãos cineastas é notória, mas nem sempre assenta bem, já que parece que as personagens sofrem de uma mutação genética de cuspir diálogos com uma aceleração de 400 km/h. Good Time é mais pausado que Uncut Gems, mas ainda tem esta marca inconfundível.

Good Time Critica de Cinema

Talvez para uns esse espírito de rapidez argumentativa seja o que precisavam, mas para mim chega a um ponto que incomoda a minha envolvência com o filme. São características próprias dos autores que, mesmo que não aprecie, reconheço mérito. E Good Time é um bom filme, sem sombra de dúvida, mas tem elementos que não conseguem sobressair tanto numa história tão banal e pouco desenvolvida. Ia-me esquecendo de mencionar a banda-sonora incrível de Daniel Lopatin (aqui adquire o heterónimo Oneothrix Point Never) que nos faz ter descargas de adrenalina ritmadas e intensas, mesmo que não consiga salvar o filme dos pontos que mencionei em cima.

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Título: Bom Comportamento

Título Original: Good Time

Realização: Benny Safdie & Josh Safdie

Elenco: Robert Pattinson, Benny Safdie, Buddy Duress, Taliah Webster, Jennifer Jason Leigh, Barkhad Abdi.

Duração: 102 min.

Trailer | Good Time

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