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Crítica: Citation (2020)

Citation Crítica de Cinema

PODE CONTER SPOILERS DE CITATION!!!

Com a sua presença numa escala quase global, a Netflix tem vindo a apostar fortemente em importações de outros países para todos os seus subscritores. A semana passada não foi exceção, uma vez que tivemos direito a este Citation, oriundo da Nigéria.

Contado em duas linhas temporais, o filme conta a história de Moremi, uma jovem estudante universitária que denuncia um professor por assédio sexual.

Relatos de assédio sexual têm vindo a tornar-se mais frequentes em anos recentes, tornando-se num dos tópicos mais controversos por esse efeito. Estas histórias, que também foram sendo transpostas para o pequeno e grande ecrãs, servem como chamada de atenção e um pedido de mudança de mentalidades. Portanto, embora Citation não ganhe pontos por nos contar algo que seja uma novidade, não deixa de ter o seu coração no sítio certo.

Tal como tinha mencionado acima, o filme divide-se em duas linhas temporais distintas. Temos a atual, em que Moremi enfrenta o professor Lucien N’Dyare perante um conselho disciplinar, e também temos a do passado, aonde vamos percebendo alguns detalhes sobre a relação entre os dois. Ambas as linhas temporais possuem alguns pontos a seu favor – no sentido de adicionar novas peças deste puzzle, levando à sua conclusão – mas também conta com alguns dissabores. Citation é um filme longo, e fica a ideia de que algumas das suas sequências não trazem tanto impacto quanto o desejado. Tem uma ou outra que, de forma subtil, acaba por trazer alguma influência no desenrolar dos eventos, mas a grande maioria podia ter sido eliminada e nem daríamos por ela.

Ainda assim, a mensagem está presente, e continua a ter relevância. Embora seja uma perspetiva mais específica – ou seja, casos de assédio sexual numa situação estudantil – não deixa de ser uma chamada de atenção para casos semelhantes, independentemente da cor da pele ou estatuto social. Já para não falar de termos receio dos chamados “lobos em peles de cordeiro”.

Citation encontra também algum louvor nos atores Temi Otedola e Jimmy Jean-Louis, que interpretam Moremi e N’Dyare respetivamente. Por um lado, acompanhamos a jornada de Moremi, que vai passando de jovem estudante com ideias até se tornar numa lutadora pela verdade dos factos, ainda que se torne numa voz relutante para o movimento de sensibilização de denúncias de natureza sexual. Em contraste, temos o Professor N’Dyare que, embora inicialmente afável e de relacionamento fácil com os seus estudantes, vai abandonando esses traços em favor de um perfil mais do que sinistro.

Estes dois atores podem ser a salvaguarda do filme, porque o resto do elenco deixa a desejar. Na sua grande maioria, os papéis aqui vistos acabam por cair em alguns estereótipos indesejados, ou arquétipos que não lhes dá muita margem de manobra para desenvolvimento. Há de tudo um pouco.

Citation não é um mau filme, antes pelo contrário. Tem alguns elementos que funcionam a seu favor, além de mostrar as capacidades de um país como a Nigéria de contar histórias com relevância. Dito isto, o filme só mostra também que ainda tem arestas por limar. Tem boas intenções, mas a execução deixa a desejar.

Podem ler outras Críticas aqui.

Título: A Lição de Moremi

Título Original: Citation

Realização: Kunle Afolayan

Elenco: Temi Otedola, Jimmy Jean-Louis, Adjetey Anang, Ini Edo, Gabriel Afolayan

Duração: 151 minutos

Trailer | Citation

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