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Crítica: Proxima (2019)

Proxima Critica de Cinema

CONTÉM SPOILERS DE PROXIMA!

Existem aqueles filmes que podem não ser para todos, mas que nos conquistam pela sua mensagem. Não são propriamente guilty pleasures, porque reconhecemos o seu mérito qualitativo, mas também reconhecemos as suas falhas óbvias e sabemos que não os podemos classificar de obras-primas. Proxima é um destes casos; o filme de Alice Winocour que se centra em Sarah Loreau, uma astronauta que recebe a honra de ir para uma missão espacial durante um ano. Sarah tem um filha pequena, Stella, e não é fácil abdicar da sua vida como mãe para cumprir o seu sonho de carreira.

Proxima Critica de Cinema

Proxima não é nenhum Interstellar, nem First Man. Aliás, é pena que o filme, de facto, não nos tenha agraciado com a vida da astronauta enquanto vasculha a superfície de Marte. No entanto, é um filme que se foca inteiramente num aspeto: ser-se mulher num mundo governado por homens e ser-se mãe num meio que não permite muito contacto com os filhos. Eva Green é uma força da natureza que carrega Proxima do início ao fim. É tão carismática quanto é uma atriz de peso e cuja nomeação ao Óscar devia ser dada por garantida. A sensibilidade de Winocour de explorar esta história é, de facto, aquilo que ela tem de melhor.

Proxima é um registo humano belíssimo e os valores de maternidade são constantemente colocados em causa, permitindo que o espectador entenda e sinta na própria pele todas as emoções mais puras e genuínas da relação entre Sarah e Stella. A dinâmica entre Green e a jovem Zélie Boulant é extraordinária e revela um cuidado profundo em focarmo-nos naquilo que realmente importa. Claro que Proxima necessitava obrigatoriamente de apelar a um público mais vasto, mas prefere manter-se sucinto naquilo que quer transmitir. É algo ambíguo de avaliar porque o aspeto de entretenimento acaba por falhar, mas todo o resto está tão bem contemplado que traz uma segurança incrível ao público sobre a postura e as decisões difíceis que a protagonista tem que tomar.

Proxima Critica de Cinema

Outro aspeto menos positivo de Proxima é a fraca análise às personagens secundárias que, ainda que tenham algum tempo de antena, não têm muita relevância. Matt Dillon tem um papel que se mostrava promissor no início do filme, mas que rapidamente se torna ornamental. É o grave problema de Winocour em dar algum destaque ao elenco masculino que compõe o filme. Tal como Sarah, e independentemente de ser um bully com um propósito direto, a personagem de Mike Shannon é tão relevante quanto a da protagonista, e o seu mau aproveitamento acaba por reduzir Proxima e o impede de subir a um patamar de excelência.

No entanto, é tão bonita, doce e genuína a forma como Winocour trata a sua protagonista e a relação com a sua filha, que Proxima acaba por conquistar mesmo não sendo uma obra perfeita. Num cenário em que o sonho interfere com a vida, como procederíamos nós? O filme trabalha isto com uma sensibilidade extraordinária e provoca-nos várias emoções ao longo da sua duração. É uma questão bonita que já La La Land roçou noutro aspeto. Portanto, deem uma oportunidade a Proxima e tirem vocês próprios as vossas conclusões, mas percebam que este não é o filme espacial que pensam que é, mas sim um retrato humano em que o espaço é o mínimo das preocupações.

Proxima Critica de Cinema

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Título: Próxima

Título Original: Proxima

Realização: Alice Winocour

Elenco: Eva Green, Zélie Boulant, Matt Dillon, Aleksey Fateev, Lars Eidinger, Sandra Hüller.

Duração: 107 min.

Trailer | Proxima

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