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Crítica: Kindred (2020)

Kindred Critica de Cinema

CONTÉM SPOILERS DE KINDRED!

Há certos filmes que prometem muito e entregam muito pouco. Outros que, no meio politicamente correto se tentam insurgir utilizando o racismo como fonte de inspiração. Kindred é um destes casos, onde uma jovem mãe engravida do seu namorado que, acidentalmente morre, e é vítima da sua família opressiva e que a aprisiona na sua mansão. Realizado por Joe Marcantonio, Kindred usa Get Out como uma das suas fontes de inspiração, mas é um thriller pobre e sem grande alma.

Kindred Critica de Cinema

É pena quando o cinema não sabe dar a volta às situações. Kindred prometia ser algo bem mais interessante do que realmente foi. É uma história incredulamente limitada, onde a protagonista Tamara Lawrance toma decisões extremamente ridículas e que a compromete como protagonista. Para além disso, as personagens secundárias (sendo que a maioria são vilões sem explicação alguma) são estupidamente clichés e que alimentam uma narrativa sem força e sem carisma.

Nem tudo é mau, já que Marcantonio consegue aproveitar algumas imagens interessantes e a direção de fotografia está de parabéns na maioria das vezes… e Fiona Shaw continua a ser uma grande senhora do ecrã, conseguindo tornar a sua personagem na mais credível de todo o filme. Mas isto não chega para tornar Kindred mais apelativo… de todo! O filme é terrivelmente vulgar e não nos causa mínimo desconforto nem nos faz pensar sequer no porquê da protagonista se encontrar na situação em que se encontra. Quando o desinteresse pela heroína é evidente, então o entusiasmo pelo filme logo se segue.

Kindred Critica de Cinema

Faltam twists imprevisíveis, falta espírito de terror, falta charme à protagonista e camadas de história para os vilões. Tudo é banal, sem grande interesse… E não há propriamente algo de muito inteligente no seu argumento, já que, para além da protagonista ser extremamente limitada em termos de decisões, o filme não consegue criar algo de mais criativo para justificar as suas próprias opções.

Se o cinema interventivo continuar a optar por ripostar racismo contra racismo, vai perder rapidamente o seu ato de coragem para parar de o difundir. Enquanto filmes como Kindred existirem e utilizarem o seu mote manipulativo para algo nada substancial, o cinema perde a sua função interventiva e passa a ser algo comum, sem gosto e sem relevância. Portanto, afastem-se de Kindred e não percam o vosso tempo precioso com um filme igual a todos os outros do género…

Kindred Critica de Cinema

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Título: Kindred

Título Original: Kindred

Realização: Joe Marcantonio

Elenco: Tamara Lawrance, Chloe Pirrie, Fiona Shaw, Jack Lowden, Anton Lesser, Edward Holcroft.

Duração: 101 min.

Trailer | Kindred

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