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Crítica: Charm City Kings (2020)

Charm City Kings Crítica de Cinema

PODE CONTER SPOILERS DE CHARM CITY KINGS!!!

Apesar de ter um início recente, a HBO Max, aos poucos e poucos, lá vai estabelecendo o seu catálogo em constante crescimento. Embora Portugal não tenha acesso a esse conteúdo de forma direta, pelo menos vai recebendo algumas obras de interesse por via da HBO Portugal. Uma dessas novas entradas é este Charm City Kings.

Baseado no documentário 12 O’Clock Boys, Charm City Kings centra-se no jovem Mousse que, num fatídico Verão, decide fazer os seus esforços para integrar nos Midnight Cliques, um dos maiores gangues de dirt bikers de Baltimore.

Os filmes coming of age não são necessariamente uma grande novidade no grande ecrã, com alguns a sobressaírem-se pelas melhores (ou piores) razões. Charm City Boys pode parecer como tantos outros filmes deste subgénero, mas pelo menos encontra alguns pontos a seu favor.

Angel Manuel Soto pode ainda não ser um nome seguro dentro da indústria, mas é uma voz que vai conseguindo capturar a atenção de muita gente aos poucos e poucos. Não só consegue capturar a essência – e algumas vivências – de Baltimore, mas também de algumas situações já típicas na adolescência (ou idade da revolta). Através dos olhos e experiências do jovem Mouse, vamos obtendo algumas lições de vida preciosas, além de alguns exemplos claros de como toda uma vida pode mudar através de uma cadeia de más decisões, por vezes com consequências nefastas não só para a pessoa a tomá-las, mas também para quem convive à sua volta.

Aparte de um figurino ou outro de etnia branca, quase a totalidade do elenco de Charm City Kings é composta maioritariamente por afro-americanos. E embora possuam algumas performances de interesse, algumas das personagens presentes não recebem propriamente o desenvolvimento necessário para podermos tecer um carinho especial por elas. Dito isto, o filme salva-se com duas performances estonteantes.

Começando pelo jovem Jahi Di’Allo Winston, que interpreta Mouse na película. Apesar da sua tenra idade, Winston enfrenta toda uma panóplia de emoções, e consegue transmiti-las de forma bastante fidedigna, tornando-se na surpresa do filme. Outra surpresa do filme é Meek Mill, que interrompe a sua carreira musical para interpretar Blax, o líder do gangue que, após ter sido encarcerado, decide dar um novo rumo à sua vida, inclusive aceitar cuidar de Mouse e de lhe incutir algumas lições de moral (tal como Mr. Miyagi, no filme The Karate Kid). De forma isolada, este duo consegue convencer, até os mais céticos, mas o filme encontra algumas maravilhas ao vermos a relação de ambos a evoluir aos poucos e poucos.

Mas Charm City Kings está longe de ser um filme perfeito. Tal como tinha mencionado acima, aparte dos personagens Mouse e Blax, a maioria dos personagens não tem muito para fazer senão apresentar desafios morais para o duo superar. Mas os problemas não param aí. Embora o diálogo tenha vários momentos de ouro, existem uma ou outra que não é tão desenvolvida quanto o desejado. E o ato final também deixa um pouco a desejar, muito por causa de um desejo de desencadear um conflito que poderia ter sido evitado mediante uma ou outra atitude importante.

Apesar disso, Charm City Kings tem, bem, o seu charme. Além de uma dupla de peso sob a forma do jovem Winston e Mill, é um filme coming of age agradável para os fãs do género, independentemente se se sentem apegados ao desporto das dirt bikes.

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Título: Charm City Kings

Realização: Angel Manuel Soto

Elenco: Jahi Di’Allo Winston, Meek Mill, William Catlett, Donielle T. Hansley Jr., Kezii Curtis, Chandler DuPont, Teyonah Parris

Duração: 125 minutos

Trailer | Charm City Kings

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